No começo dos anos 2000, quem zapeava pelos canais abertos no Brasil era bombardeado por um anúncio quase onipresente: a camerazinha TekPix, que prometia gravar, fotografar, tocar música, funcionar como pendrive e ainda caber no bolso e no carnê, virando piada, desejo de consumo e símbolo de uma era em que a propaganda na TV ditava o que era “moderno”.
Por que a TekPix conquistou tanta gente de uma vez?
Na virada do milênio, comprar uma câmera digital de marca famosa era um objetivo distante para boa parte dos brasileiros. Equipamentos de empresas globais custavam caro, às vezes o equivalente ao preço de uma moto usada, o que afastava boa parte do público.
Esse vácuo de mercado abriu espaço para a TekPix, que prometia trazer o “mundo digital” para dentro de casa sem exigir cartão de crédito nem conta em banco. A marca apostou em linguagem simples, sensação de inclusão e apelo emocional, especialmente em regiões afastadas dos grandes centros.

O que havia de especial na câmera TekPix 7 em 1?
O grande chamariz da TekPix era o rótulo de aparelho multifunção, vendida como algo pronto para substituir vários dispositivos de uma vez. Em vez de focar em termos técnicos, os comerciais vendiam a ideia de um “centro multimídia” acessível, reforçando a impressão de custo-benefício imbatível.
Entre as funções mais divulgadas e que pareciam resolver várias demandas do dia a dia, estavam:
- Gravação de vídeo para registrar festas, viagens e momentos em família.
- Captura de fotos em formato digital, dispensando o uso de filme.
- Gravador de voz para recados, entrevistas ou estudos.
- Uso como webcam conectada ao computador.
- Reprodução de músicas (MP3) e vídeos (MP4).
- Armazenamento de arquivos como se fosse um pen drive.
Quem era o homem por trás do bordão da TekPix?
Um dos pilares da popularidade da marca foi o apresentador Juarez Aparecido Pontes Fernandes, que saiu da venda por telefone para se tornar figura constante na TV. Com fala acelerada, linguagem simples e muitos bordões, ele virou personagem da cultura pop brasileira.
Juarez aparecia em vários programas, em diferentes emissoras, repetindo vantagens da câmera e chamando o público para ligar “agora”. Depois que a marca saiu de cena, ele seguiu na TV, chegou a apresentar programas e, mais tarde, se envolveu em polêmica que levou ao afastamento de uma emissora em 2024.
Como a TekPix vendia tanto mesmo com tantas críticas?
Apesar das limitações técnicas, a estratégia de pagamento foi decisiva para impulsionar as vendas. A câmera não era barata no valor total, mas o parcelamento em prestações pequenas e longas tornava o preço “leve” no orçamento mensal, com forte apelo para quem tinha restrições de crédito.
Esse modelo permitiu que muita gente comprasse a primeira câmera digital da vida, mesmo com pouca informação sobre qualidade de imagem, durabilidade ou assistência técnica. Ao mesmo tempo, o custo de fabricação bem abaixo do valor final bancava a publicidade pesada e mantinha margens altas enquanto o encanto durou.
Selecionamos o vídeo do Canal 90 que faz sucesso no YouTube com seus vídeos incríveis:
Como a TekPix caiu em desgraça e o que aprendemos com isso?
Com o tempo, o aumento de compradores trouxe relatos de fotos sem nitidez, vídeos com ruído, travamentos e diferenças entre a resolução anunciada e a real. A partir de 2009, órgãos de defesa do consumidor receberam enxurradas de queixas, e em 2010 o Ministério da Justiça aplicou multa por propaganda enganosa.
Enquanto a reputação ruía, câmeras de marca ficaram mais baratas e smartphones passaram a entregar fotos e vídeos muito superiores. Em 2013, grandes redes barraram os anúncios, e a TekPix saiu do mapa, virando exemplo clássico de marketing agressivo que não se sustentou na entrega. Use essa história agora para repensar suas decisões de consumo e de comunicação: questione promessas milagrosas, pesquise antes de comprar e compartilhe este caso hoje com alguém que ainda acredita que propaganda, sozinha, faz um produto valer a pena.




