O caso de uma trabalhadora australiana demitida após recusar um teste do bafômetro no trabalho reacendeu o debate sobre até onde vai o poder de controle das empresas e quais são os limites legais em situações desse tipo, mostrando como decisões precipitadas em recursos humanos podem gerar fortes impactos jurídicos, financeiros e de reputação.
O que estava em jogo no teste de alcoolemia no trabalho
Em muitos setores, principalmente transporte, logística e operação de máquinas, empresas adotam políticas rígidas sobre álcool e drogas, alegando proteção à segurança de funcionários, clientes e do público em geral.
No caso australiano, a trabalhadora relatou ter consumido apenas uma bebida alcoólica durante um almoço de quatro horas com colegas, algo descrito como comum na rotina da empresa. A exigência de teste foi feita após um terceiro funcionário apresentar comportamento considerado problemático, o que levou a empregada a sentir-se indevidamente responsabilizada por um comportamento alheio.

Por que o teste do bafômetro foi considerado uma exigência irregular
Ao analisar o conflito, a Comissão de Trabalho da Austrália avaliou não apenas a recusa ao teste, mas o contexto geral em que a ordem foi dada. Para o tribunal, a empresa não demonstrou que a exigência era razoável, nem que havia base normativa clara que tornasse obrigatória a submissão ao exame naquela situação específica.
Os julgadores também observaram que a recusa não poderia ser automaticamente equiparada a ato de insubordinação grave. Faltou um procedimento disciplinar mais cuidadoso em uma empresa de grande porte, com mais de 1.300 empregados, e esse cenário pesou muito na caracterização de demissão injustificada.
Em quais situações a recusa ao teste de alcoolemia pode gerar justa causa
A grande pergunta que surge desse episódio é se recusar o teste do bafômetro no trabalho sempre justifica demissão imediata. A decisão australiana indica que a resposta depende de vários fatores, e que a penalidade deve ser analisada com base em proporcionalidade, legalidade e comunicação prévia das regras.
Para tornar esse tipo de decisão menos subjetiva e mais previsível, tribunais costumam considerar alguns elementos concretos ao avaliar se a justa causa é válida:
- Ausência ou presença de risco claro: se havia evidência de incapacidade para o trabalho ou perigo imediato à segurança.
- Base legal e normativa: existência de lei, norma interna ou acordo coletivo que preveja o teste de forma clara.
- Histórico da empresa: se o consumo moderado de álcool em almoços corporativos era tolerado ou expressamente proibido.
- Escala de sanções: uso prévio de advertências e medidas intermediárias antes de chegar à demissão.
Quais lições o caso traz para políticas de álcool e drogas nas empresas
O processo terminou com a condenação da empresa ao pagamento de uma indenização equivalente a 63.500 dólares australianos, cerca de 45 mil dólares americanos. Embora a relação de confiança tenha sido considerada abalada, a decisão expôs falhas na estruturação das políticas internas de álcool e drogas no trabalho e na forma como elas eram comunicadas.

Ficou evidente que não basta ter uma política rígida no papel: é preciso que as regras sejam claras, acessíveis, coerentes com a cultura corporativa e aplicadas de maneira uniforme. A falta de transparência e de critérios objetivos aumenta o risco de decisões precipitadas e de condenações trabalhistas futuras.
Como agir agora para evitar riscos trabalhistas e proteger seu negócio
O caso australiano mostra que o teste do bafômetro no trabalho é uma ferramenta sensível, que precisa ser usada com base em critérios legais, transparentes e previamente divulgados. Quando a exigência não é bem fundamentada, a recusa do empregado tende a ser vista pelos tribunais como exercício legítimo de resistência, e não como ato grave suficiente para justa causa.
Se sua empresa ainda não revisou suas políticas de álcool e drogas, o momento é agora: adie essa atualização e você pode ser o próximo a enfrentar uma indenização alta e danos à imagem. Procure orientação jurídica especializada, revise regulamentos internos, treine líderes e formalize procedimentos antes que um único episódio isolado se transforme em um problema caro, urgente e irreversível.




