A liberação de mais de R$ 800 milhões pelo Governo Federal em janeiro colocou o piso da enfermagem sob vigilância inédita. Com valores já transferidos a estados e municípios, profissionais passaram a acompanhar se o dinheiro chega integralmente à folha salarial e se o complemento é suficiente.
Por que janeiro marcou uma virada no acompanhamento do piso?
O mês de janeiro se tornou um marco porque concentrou um dos maiores volumes de recursos federais destinados ao custeio do piso da enfermagem. A partir desse momento, o debate deixou de ser apenas normativo e passou a se apoiar em números concretos, prazos e execuções efetivas.
Com o dinheiro já liberado, a atenção se voltou ao caminho percorrido pelos repasses até se transformarem em salário. Esse intervalo entre a liberação federal e a execução local passou a ser observado de perto por profissionais e entidades representativas.

Como os recursos federais foram distribuídos entre entes?
Os repasses realizados em janeiro seguiram uma divisão que evidencia o papel central dos municípios no pagamento do piso, como mostra a distribuição definida pelo Ministério da Saúde.
- Municípios: cerca de R$ 585 milhões, concentrando a maior parte da execução direta da folha.
- Estados: aproximadamente R$ 214 milhões, destinados a redes próprias estaduais.
- Total liberado: mais de R$ 800 milhões para custear o piso no mês.
O que muda com a publicação da portaria federal?
A Portaria GM/MS nº 10.173, publicada em 22 de janeiro de 2026, consolidou os valores e trouxe um novo nível de rastreabilidade aos repasses. A partir dela, estados e municípios passaram a constar formalmente com os montantes destinados ao piso.
Esse detalhamento fortaleceu a cobrança por transparência, permitindo comparar o que foi anunciado oficialmente com o que cada ente efetivamente recebeu e executou. O piso deixou o campo das estimativas e passou a ser conferido com base documental.

Quais estados concentram os maiores valores repassados?
Alguns estados se destacaram no volume de recursos recebidos, o que ampliou a atenção sobre a execução local e o risco de divergências entre repasse e pagamento final.
- Pernambuco: mais de R$ 36 milhões destinados ao custeio do piso.
- Bahia: cerca de R$ 28 milhões recebidos no mês.
- Paraná: aproximadamente R$ 16 milhões em repasses federais.
Esses valores funcionam como termômetro do impacto administrativo e ajudam a identificar onde a fiscalização tende a ser mais intensa.
Qual é o valor do piso e onde surgem as diferenças?
O piso da enfermagem segue valores nacionais calculados para jornada de 44 horas semanais, com R$ 4.750 para enfermeiros, R$ 3.325 para técnicos e R$ 2.375 para auxiliares e parteiras. Qualquer divergência aparece rapidamente na folha.
Com os repasses já realizados, o foco agora está em confirmar se os valores liberados são suficientes e se a execução local ocorre sem atrasos ou cortes. Em janeiro, o piso entrou definitivamente em modo de monitoramento contínuo.




