O custo da cesta básica em Belo Horizonte registrou queda no início do ano, trazendo alívio parcial ao orçamento das famílias. A redução acompanha a desaceleração da inflação de alimentos e diminui a fatia do salário mínimo destinada à compra de itens essenciais.
O que explica a redução recente da cesta básica?
Entre dezembro e janeiro, o valor médio da cesta básica em Belo Horizonte recuou 1,21%, segundo levantamento do Ipead. Com isso, o custo passou a R$ 733,77, refletindo uma combinação de fatores ligados à oferta e ao comportamento de preços de alimentos essenciais.
O movimento ocorreu na Região Metropolitana da capital e está diretamente associado à desaceleração da inflação de alimentos, que contribuiu para um início de ano menos pressionado no supermercado, mesmo sem eliminar o peso elevado da alimentação no orçamento doméstico.

Como a cesta básica impacta o salário mínimo hoje?
A relação entre o custo da cesta básica e o salário mínimo é um dos principais indicadores do poder de compra. Com o reajuste do piso nacional no fim de 2025, o impacto proporcional dos alimentos básicos apresentou melhora significativa, como mostram os dados a seguir.
- Comprometimento atual: R$ 733,77 representam 45,27% do salário mínimo de R$ 1.621.
- Comparação recente: em janeiro de 2025, esse percentual era quase quatro pontos maior.
- Nível histórico: patamar semelhante só foi registrado em agosto de 2020, com 45,82%.
Quais alimentos puxaram a queda dos preços?
A redução do custo total da cesta foi influenciada principalmente por itens de grande peso no consumo doméstico. A proteína bovina teve papel central nesse movimento, mesmo sem liderar a maior variação percentual entre os produtos pesquisados.
O destaque ficou para o coxão-mole, com queda de 4,09%, além de produtos básicos como banana caturra, arroz e açúcar cristal. Como esses itens são amplamente consumidos, pequenas oscilações geram impacto direto no valor final da cesta.

Quais itens registraram alta e pressionaram os preços?
Apesar da queda geral, alguns produtos apresentaram elevação expressiva, limitando um recuo maior da cesta básica. Esses aumentos estão ligados principalmente a fatores climáticos que afetaram a produção e a logística, conforme observado nos itens abaixo.
- Tomate: alta de 15%, influenciada por chuvas intensas na região.
- Batata inglesa: aumento de 9%, com impacto da oferta reduzida.
- Feijão carioquinha: variação positiva de 3,40% no período.
Essas altas mostram como os hortifrutigranjeiros seguem sensíveis às condições climáticas, mantendo volatilidade mesmo em cenários de alívio geral dos preços.
O que dizem os dados sobre inflação e próximos meses?
A inflação de alimentos em Belo Horizonte registrou recuo de 0,67% em janeiro, acompanhando o comportamento mais moderado da cesta básica. Segundo o responsável pela pesquisa, o movimento ocorreu no mesmo ritmo da inflação geral, que subiu menos na capital.
Mesmo assim, o índice cheio avançou 1,13%, pressionado por serviços como transporte urbano, IPTU e emprego doméstico. A perspectiva é de cautela, já que clima, safra e custos logísticos ainda podem alterar rapidamente os preços dos alimentos.




