Desde meados da década de 2010, a discussão sobre o impacto do plástico no planeta ganhou força, impulsionada por imagens de animais marinhos feridos e praias cobertas de resíduos, e estudos recentes indicam que a questão central hoje não é apenas o lixo visível, mas principalmente os chamados microplásticos, partículas minúsculas que se espalham por ambientes terrestres, aquáticos e até pela atmosfera.
O que são microplásticos e por que eles preocupam o mundo
Microplásticos são fragmentos de plástico extremamente pequenos, produzidos já nesse tamanho (primários) ou resultantes da quebra de objetos maiores (secundários). Eles aparecem em diferentes formatos, como fibras, grânulos, filmes finos ou fragmentos irregulares, e viajam longas distâncias por água e ar, alcançando ecossistemas distantes.
Entre as características que mais chamam a atenção da comunidade científica estão a persistência e a capacidade de acumulação. O plástico pode levar séculos para se decompor, fragmentando-se em porções cada vez menores e gerando uma forma contínua de poluição difusa, com potencial de interação com organismos e ciclos naturais.

Microplásticos no oceano podem superar a biomassa de peixes
Os oceanos concentram uma parte expressiva dos microplásticos ambientais, e projeções indicam que, mantido o ritmo atual de produção e descarte, a massa de plástico nos mares pode se aproximar ou até superar a de peixes em poucas décadas. Estimativas internacionais apontam centenas de milhões de toneladas de resíduos plásticos no ambiente marinho, com grande fração já em partículas microscópicas.
Quais são as principais fontes de microplásticos na rotina
Apesar da associação imediata com embalagens e utensílios descartáveis, as principais fontes de poluição por microplásticos vão além do lixo visível. Estudos internacionais mostram que processos cotidianos pouco percebidos, como desgaste de pneus, lavagem de roupas sintéticas e emissão de poeira urbana, liberam milhões de partículas por dia nos ambientes.
Essas fontes difusas, somadas aos macroplásticos que se fragmentam com o tempo, alimentam continuamente o ciclo de geração de microplásticos. Mesmo com coleta de lixo, parte desse material escapa em lixões a céu aberto, sistemas de drenagem precários ou descarte irregular, alcançando rios, solos e mares.
- Desgaste de pneus: A fricção entre pneus e asfalto libera fragmentos de borracha e plástico que a chuva arrasta para bueiros, rios e mares.
- Fibras têxteis sintéticas: Tecidos como poliéster e poliamida soltam microfibras a cada lavagem, muitas vezes não retidas no tratamento de esgoto.
- Poeira urbana: Resíduos de atividades humanas, partículas de tinta, construção e fragmentos plásticos formam uma poeira fina que se deposita em ruas e solos.
- Macroplásticos fragmentados: Sacolas, embalagens, copos e canudos quebram-se em pedaços menores, que se transformam gradualmente em microplásticos.
O que já se sabe sobre microplásticos e saúde humana
A presença de microplásticos no corpo humano tornou-se um foco recente de pesquisa, com partículas identificadas em sangue, pulmões, coração, placenta e outros tecidos. A exposição pode ocorrer pela água potável, alimentos marinhos, vegetais cultivados em solos contaminados e pela inalação de poeira contendo fragmentos microscópicos, inclusive em ambientes internos.
Ainda não há consenso definitivo sobre todos os impactos na saúde, mas pesquisadores apontam riscos ligados a inflamações, estresse celular e transporte de contaminantes. Microplásticos podem carregar metais pesados, pesticidas e aditivos químicos usados na fabricação de plásticos, o que torna essenciais estudos epidemiológicos de longo prazo para relacionar exposição crônica a doenças cardiovasculares, respiratórias ou neurológicas. Selecionamos um vídeo do canal Jornalismo TV Cultura, que conta com mais de 1 milhão de inscritos e fala um pouco mais sobre os impactos conhecidos dos microplásticos.
Como reduzir a poluição por microplásticos no dia a dia
O enfrentamento do problema exige políticas públicas articuladas e mudanças de hábito, uma vez que a reciclagem cobre apenas fração do total produzido. A redução do consumo de plásticos de uso único é medida central, assim como escolhas mais conscientes de produtos, roupas e formas de descarte, que podem diminuir a geração de partículas.
Do ponto de vista estrutural, ganham espaço propostas como melhoria de sistemas de tratamento de esgoto, desenvolvimento de filtros para reter microfibras, revisão de normas para pneus e incentivo à economia circular. Apoiar iniciativas locais de coleta seletiva, reciclagem e inovação em materiais de menor impacto ambiental contribui para reduzir a formação de microplásticos e proteger ecossistemas e saúde humana.




