O pó doméstico costuma ser visto apenas como um incômodo estético, mas pesquisas recentes indicam que ele funciona como um reservatório de substâncias químicas presentes no ambiente interno, como fragmentos de plástico, compostos orgânicos voláteis e resíduos de produtos de limpeza e revestimentos, que em casas modernas e bem vedadas tendem a permanecer por mais tempo, ampliando o contato diário com os moradores.
O que é o pó doméstico e do que ele é composto
A expressão pó doméstico abrange um conjunto variado de partículas: fibras têxteis, restos de pele humana e animal, fragmentos de solo, fuligem de combustão, microplásticos e resíduos de tintas e espumas. Esses elementos funcionam como suporte físico para substâncias como ftalatos, PFAS, retardantes de chama e compostos orgânicos voláteis (VOCs), muitos deles persistentes no ambiente interno.
Na prática, o pó doméstico atua como um arquivo da rotina da casa, acumulando resíduos microscópicos de produtos de limpeza perfumados, velas aromáticas, sprays de ambiente, tecidos com tratamento para manchas e revestimentos plásticos. Essa mistura se deposita em locais de difícil acesso, como atrás de móveis, frestas de piso e cantos de rodapé, onde limpezas rápidas raramente conseguem alcançar.

Quais são os riscos do pó doméstico para a saúde
Os riscos associados ao pó doméstico variam conforme a composição de cada ambiente, podendo envolver desde alérgenos, como ácaros e pelos de animais, até substâncias com potencial de interferir no sistema endócrino, como certos ftalatos de plásticos flexíveis e fragrâncias sintéticas de uso diário. Em pessoas sensíveis, esses componentes podem desencadear crises respiratórias, irritações e agravar doenças crônicas.
Imóveis antigos podem apresentar ainda o pó de chumbo originado de tintas antigas ou reformas mal conduzidas, preocupando especialmente em lares com crianças, já que pequenas quantidades ingeridas de forma contínua podem afetar o desenvolvimento neurológico. Compostos como PFAS e alguns retardantes de chama, usados em carpetes, colchões e estofados, tendem a se acumular em superfícies macias e se reemitir ao ar, sustentando uma exposição diária de baixa dose, porém prolongada. Selecionamos um vídeo do canal RTC – Rádio Televisão Cabo-verdiana, onde a Médica Imunoalergologista, Maria do Céu Teixeira, fala um pouco mais dos impactos do pó na nossa saúde.
De onde vem o pó doméstico e seus contaminantes
Muitos elementos presentes no pó da casa têm origem em fontes aparentemente inofensivas, como almofadas e colchões antigos com espuma degradada, que liberam fragmentos contendo retardantes de chama usados há décadas. Pisos vinílicos, revestimentos de couro sintético e cortinas plásticas liberam pequenas quantidades de plastificantes, que se fixam nas partículas em suspensão e se espalham pelos cômodos.
Entre as fontes comuns de substâncias químicas associadas ao pó doméstico, destacam-se materiais e produtos que, com o uso contínuo, liberam compostos lentamente e contribuem para a formação de uma camada constante de pó químico ativo na casa:
- Espumas antigas em sofás, poltronas e colchões, muitas vezes tratadas com retardantes de chama.
- Revestimentos vinílicos e materiais de PVC flexível presentes em pisos, tapetes e capas decorativas.
- Tecidos com tratamento antimanchas, como carpetes e estofados resistentes à água e à gordura.
- Produtos perfumados, incluindo sprays, aromatizadores de ambiente, velas e alguns produtos de limpeza.
- Resíduos de obras, especialmente em casas construídas ou reformadas em épocas em que o chumbo era comum em tintas.
Como reduzir a exposição ao pó doméstico no dia a dia
A diminuição do contato com o pó doméstico não exige medidas extremas, mas se beneficia de hábitos regulares e escolhas mais criteriosas, como adotar uma política de não entrar com calçados da rua, usar tapetes na entrada e priorizar ventilação adequada. Manter a casa organizada facilita o acesso a superfícies e cantos, reduzindo os pontos de acúmulo silencioso de poeira.
Na rotina de limpeza, práticas específicas fazem diferença, como limpeza úmida de superfícies com panos de microfibra, uso de aspirador com filtro HEPA em tapetes e estofados e controle de umidade interna em torno de 40–50%, o que reduz a proliferação de ácaros. Em residências com climatização central, filtros equivalentes a MERV 13 e purificadores de ar com HEPA podem complementar o controle, enquanto a substituição gradual de espumas que esfarelam, tapetes muito antigos e revestimentos rachados ajuda a diminuir a liberação contínua de partículas e contaminantes.




