A Justiça espanhola confirmou demissão disciplinar por recusa de pausa obrigatória. O intervalo mínimo é dever legal de saúde e segurança; a desobediência reiterada caracteriza falta grave e gera risco jurídico à empresa.
A justiça espanhola decidiu que ignorar a pausa obrigatória na jornada pode levar à demissão disciplinar. O descanso deixou de ser visto como opção e passou a ser tratado como dever de segurança e saúde no trabalho.
Por que a recusa da pausa virou motivo de demissão?
O caso analisado envolveu um empregado que se recusava a cumprir o intervalo de 15 minutos, mesmo após alertas formais. Para o tribunal, a atitude violou regras de segurança laboral e afrontou ordens diretas da gestão.
A corte entendeu que não se trata de escolha pessoal. O tempo de descanso integra o protocolo de proteção do trabalhador. Ao ignorar a pausa, o funcionário criou risco jurídico para a empresa e caracterizou desobediência grave.

O que diz a lei espanhola sobre o descanso na jornada?
A regra está no Art. 34.4 do Estatuto dos Trabalhadores, que define quando a pausa é obrigatória conforme a duração do expediente. A aplicação é objetiva e não depende da vontade do empregado, como mostra a lista a seguir.
- Jornada acima de 6 horas: pausa mínima obrigatória de 15 minutos
- Trabalhador menor de 18 anos acima de 4,5 horas: pausa mínima de 30 minutos
- Intervalo legal irrenunciável: não pode ser dispensado por acordo individual
Por que a empresa é obrigada a impor o intervalo?
A decisão se baseou no princípio da Prevenção de Riscos Laborais. Especialistas em saúde ocupacional citados no processo reforçaram que pausas reduzem fadiga, falhas operacionais e acidentes ligados à perda de atenção contínua.
Segundo o entendimento técnico aceito pelo tribunal, trabalhar sem parar aumenta erros cognitivos e riscos físicos. Se ocorrer acidente no período que deveria ser de pausa, a empresa pode sofrer multa por falta de vigilância.
Leia mais: Nubank libera nova função de Pix e agora você pode fazer transferências mesmo com a conta zerada
Quando a recusa vira indisciplina grave?
Os juízes destacaram que houve advertências verbais e escritas. A repetição da conduta caracterizou insubordinação, pois o empregado descumpriu ordem legítima ligada à proteção da própria integridade e à norma coletiva interna.
No processo, peritos em gestão de risco trabalhista afirmaram que a empresa deve interromper a atividade mesmo contra a vontade do funcionário. Permitir trabalho contínuo seria infração administrativa perante a inspeção laboral.

Quais alertas práticos essa decisão traz para empresas e empregados?
O julgamento criou um precedente relevante sobre jornada e pausa obrigatória. A orientação prática é que descanso é parte do dever funcional e precisa ser controlado e registrado, como mostram os pontos objetivos a seguir.
- Fiscalização ativa: gestores devem controlar e registrar cada pausa cumprida
- Advertência formal: recusas precisam ser documentadas por escrito
- Treinamento interno: equipes devem receber orientação sobre risco e obrigação legal
A mensagem final do tribunal é direta: no direito do trabalho moderno, proteger a saúde do trabalhador vale mais que a iniciativa individual de continuar produzindo sem pausa.




