A publicação de novas disposições no Boletim Oficial da Argentina trouxe uma onda de proibições e restrições sobre cosméticos, produtos odontológicos, perfumes artesanais, itens de higiene e saneantes domissanitários. As medidas foram adotadas pela Administração Nacional de Medicamentos, Alimentos e Tecnologia Médica (Anmat), que identificou falhas de identificação, ausência de registros e suspeita de uso de substâncias não autorizadas, impactando diretamente fabricantes, comerciantes, profissionais e consumidores.
O que mudou com as novas proibições da ANMAT
Entre os produtos atingidos estão linhas capilares completas, itens de tratamento odontológico e um sabonete líquido com dados incompatíveis com os registros oficiais. As resoluções destacam problemas como irregularidades na rotulagem, inexistência de habilitação do estabelecimento produtor e suspeita de presença de formol em cosméticos capilares.
A Anmat reforça que essas falhas comprometem o controle de qualidade, a rastreabilidade e a segurança de uso desses produtos. Em especial para 2026, a agência alerta para o risco relevante em exposições repetidas, sobretudo em tratamentos de uso profissional e frequente.

Quais produtos da Shine Hair e Mumytalooks foram proibidos
A marca Shine Hair (Cabelo Brilhante) foi alvo de uma das decisões mais amplas da Anmat, que proibiu a elaboração, uso, comercialização, publicidade e distribuição de diversos itens em todo o território argentino. Segundo a Disposição 227/2026, os produtos não apresentavam dados de inscrição válidos, impedindo qualquer controle oficial sobre composição, fabricante e segurança.
Entre os produtos Shine Hair (Cabelo Brilhante) estão tratamentos com células-mãe vegetais, cremes ácidos com promessa de “hidratação extra”, fórmulas com ácido hialurônico, queratina líquida, xampus e condicionadores “extra ácidos” ou de uso profissional. No caso da Mumytalooks, a Disposição 234/2026 cita xampus plex premium (plex de primeira linha), fórmulas detox (desintoxicantes), máscaras plex, matizadores, itens com hidrocolágeno marinho, protetores térmicos, séruns de pontas (soros para pontas de cabelo) e alisantes, todos sem inscrição regular.
Quais são os riscos do formol em cosméticos capilares
Tanto na linha Shine Hair (Cabelo Brilhante) quanto em itens da Mumytalooks, o órgão indicou possível presença de formaldeído em condições não permitidas, o que é alvo de vigilância sanitária rigorosa devido à liberação de vapores durante o uso com calor.
Segundo a agência, a exposição ao formol em alisamentos pode causar irritação, vermelhidão, ardor, coceira na pele ou nos olhos, lacrimejamento, desconforto na garganta, irritação nasal, tosse e sensibilização do trato respiratório. Em exposições crônicas, aumenta o risco de hipersensibilidade, dermatites alérgicas e carcinomas, principalmente na região nasofaríngea, motivo pelo qual o uso de formol como ativo alisante não é autorizado pela Anmat.

Quais outros produtos foram vetados pela ANMAT e por quê
As decisões da Anmat também atingiram perfumes artesanais, produtos odontológicos e itens de higiene de uso cotidiano. A Disposição 228/2026 alcançou perfumes de autor da marca Zentidos, devido a divergências entre as informações dos rótulos e os dados constantes no sistema oficial, o que impede garantir que o produto vendido seja o mesmo previamente aprovado.
Na mesma disposição, foi restringido o “Escudo reparador de cáries Odontic”, da empresa Nudenta, por falhas de identificação em um produto aplicado em dentes e gengivas. Já a Disposição 232/2026 tratou de um “sabonete líquido higienizante” da marca Plus, supostamente elaborado por Química El Regreso (Química O Retorno), sem produto compatível na base da Anmat e sem habilitação do estabelecimento, resultando em bloqueio de fabricação e comércio.
Como o consumidor pode se proteger e agir agora
Os produtos saneantes domissanitários também entraram no radar, com a Disposição 230/2026 proibindo temporariamente itens da firma Química C.E.A. por falta de inscrição adequada e documentação inconsistente. Para reduzir riscos químicos e microbiológicos, o consumidor precisa adotar uma rotina mínima de checagem antes de comprar ou usar cosméticos, perfumes, itens odontológicos e de limpeza.
Na prática, isso significa incorporar alguns cuidados básicos no dia a dia de consumo:
- Verificar no rótulo a existência de número de registro ou inscrição em órgãos como a Anmat.
- Consultar, sempre que possível, bases de dados oficiais disponibilizadas on-line.
- Desconfiar de promessas exageradas e produtos vendidos em redes sociais sem identificação clara do fabricante.
- Buscar orientação de profissionais habilitados para tratamentos capilares, odontológicos ou de higiene mais específicos.
Em um cenário de fiscalização intensificada sobre linhas artesanais, marcas de nicho e vendas em plataformas digitais, a atuação da ANMAT funciona como filtro de segurança, mas não substitui o senso crítico do consumidor. Se você usa algum produto citado ou de marcas pouco conhecidas, interrompa o uso imediatamente, consulte o número de registro e, em caso de dúvida ou reação adversa, procure atendimento profissional e denuncie o produto aos canais oficiais sem esperar o problema piorar.




