O maior golpe imobiliário do Brasil começou com uma promessa simples: facilitar o caminho para a casa própria. A Encol virou referência nacional em pouco tempo, estampou seu nome em bairros inteiros e atraiu milhares de famílias com condições de pagamento flexíveis, mas o que quase ninguém imaginava é que, por trás da imagem de solidez, existia um modelo frágil que acabaria deixando obras paradas, empregos destruídos e mais de 40 mil compradores sem o imóvel sonhado.
Como nasceu a construtora que virou gigante do mercado
A história da Encol começa em Goiânia, em 1961, quando o engenheiro Pedro Paulo de Souza cria uma construtora com capital limitado e foco em moradias mais acessíveis. O alvo principal eram famílias de renda média e baixa, em um período em que pegar financiamento era tarefa complicada e os bancos eram pouco acessíveis.
Em vez de depender apenas das instituições financeiras, a empresa criou alternativas próprias para viabilizar negócios. Além de dinheiro, entravam na negociação imóveis menores, automóveis e até linhas telefônicas, item que, na época, tinha alto valor de revenda e ajudou a consolidar a construtora na região Centro-Oeste.
Selecionamos o vídeo do Canal 90 que faz sucesso no YouTube com seus vídeos incríveis:
Como a Encol se expandiu pelo país e virou sinônimo de confiança
Nas décadas seguintes, a empresa deixou de ser apenas regional e passou a atuar em diversas cidades brasileiras. A partir dos anos 1980, a Encol lançava grandes conjuntos habitacionais, prédios em áreas valorizadas e condomínios voltados para públicos de maior poder aquisitivo.
O crescimento foi impulsionado por campanhas intensas de marketing, com celebridades na TV e anúncios em jornais reforçando a ideia de segurança para quem comprasse na planta. No início dos anos 1990, a empresa já faturava cerca de 1 bilhão de dólares e moldava bairros inteiros em cidades como Brasília, Goiânia e Belo Horizonte.
Quais sinais mostravam que algo não ia bem na empresa
Mesmo com a aura de estabilidade, alguns episódios chamaram atenção. Em 1983, um edifício em Belo Horizonte foi interditado por risco estrutural, oficialmente tratado como caso isolado, enquanto a empresa reforçava seu discurso de qualidade técnica em novas campanhas.
Nos bastidores, a expansão acelerada aumentava a complexidade da gestão e a necessidade de caixa. O modelo financeiro passou a depender de um mecanismo arriscado: o dinheiro de novos lançamentos bancava obras em andamento, algo sustentável apenas em cenário de inflação alta e vendas aquecidas.
Por que o caso Encol ficou marcado como o maior golpe imobiliário do Brasil
A virada veio com o Plano Real, em 1994, quando a inflação caiu, os juros subiram e o crédito encareceu. As vendas perderam ritmo, a entrada de dinheiro novo diminuiu e a engrenagem que sustentava o modelo da Encol começou a travar, levando à paralisação de inúmeras obras.

A partir de 1997, auditorias e investigações revelaram um cenário de descontrole contábil, suspeitas de sonegação, movimentações financeiras no exterior e ausência de balanços confiáveis. Para entender a dimensão do colapso, vale observar alguns dos impactos mais diretos:
- Centenas de obras foram abandonadas em 23 estados e no Distrito Federal.
- Cerca de 23 mil trabalhadores ficaram desempregados de forma repentina.
- Mais de 40 mil mutuários não receberam os imóveis pelos quais já haviam pago.
- O prejuízo econômico somou bilhões de reais, afetando famílias, bancos e fornecedores.
- A falência foi decretada em 1999, tornando o caso um marco negativo no mercado imobiliário.
O que o caso Encol mudou no mercado imobiliário e o que você precisa fazer hoje
O colapso da Encol pressionou por mudanças nas regras do setor e inspirou mecanismos de proteção ao comprador. Em 2004, surgiu o patrimônio de afetação, que separa os recursos de cada empreendimento e reduz o risco de o dinheiro de um prédio ser usado para bancar outro, além de ajustes na legislação de falências para facilitar a retomada de obras.
A trajetória da Encol mostra como decisões de bastidor podem destruir o sonho da casa própria de milhares de famílias. Antes de assinar qualquer contrato, pesquise o histórico da construtora, entenda as garantias legais e questione tudo o que não estiver claro: proteger seu dinheiro e seu futuro não pode esperar para depois.




