A crise na indústria têxtil na Argentina se aprofunda e atinge empresas de diferentes portes, com reflexos diretos sobre o emprego e a produção nacional. O momento é marcado pela combinação de queda no consumo, avanço das importações e aumento dos custos internos, afetando desde fábricas centenárias até grupos multinacionais que produzem calçados, fios e tecidos no país, e expondo a fragilidade competitiva de um setor estratégico para o desenvolvimento regional.
O que explica o fechamento de fábricas têxteis na Argentina
A crise têxtil argentina ganhou novo capítulo com o encerramento de duas fábricas de uma empresa com mais de um século de atividade, especializada em fios e tecidos de algodão. As unidades em cidades médias de Corrientes e Chaco, regiões onde o setor tem peso econômico relevante, foram fechadas após a direção alegar que o ambiente atual inviabiliza a continuidade dos negócios em condições sustentáveis.
Segundo a empresa, a decisão veio após tentativas de ajuste interno, revisão de custos e buscas por financiamento, sem reação suficiente nas vendas para compensar o aumento das despesas operacionais. Como resultado, cerca de 250 trabalhadores perderam o emprego em regiões com poucas oportunidades equivalentes, aprofundando a preocupação de sindicatos, fornecedores e governos provinciais.

Quais fatores alimentam a crise na indústria têxtil
Os motivos para o avanço da crise na indústria têxtil misturam fatores internos e externos, com destaque para a maior abertura às importações de fios, tecidos e roupas prontas. Produtos asiáticos com custos mais baixos chegam ao mercado argentino com preços competitivos, pressionando margens, ampliando estoques e reduzindo o giro das mercadorias locais.
Ao mesmo tempo, a queda do poder de compra da população reduz a demanda por vestuário e calçados, enquanto juros elevados, energia cara, encargos trabalhistas e carga tributária intensa encarecem o custo final de cada peça produzida no país. Representantes do setor também apontam uma taxa de câmbio sobrevalorizada, que torna o produto argentino menos competitivo no mercado interno e externo.
Quais são os principais elementos da crise têxtil hoje
Nesse contexto, entidades empresariais e sindicatos destacam um conjunto de elementos que, combinados, ajudam a explicar a perda acelerada de competitividade da cadeia têxtil. Esses fatores atingem desde a indústria de fios e tecidos até confecções e fabricantes de calçados esportivos, afetando investimentos, emprego e capacidade de exportação.
- Abertura das importações com entrada de roupas, tecidos e fios, inclusive usados.
- Queda do consumo interno e menor procura por produtos têxteis e calçados nacionais.
- Altos custos locais de energia, impostos, encargos trabalhistas e financiamento.
- Câmbio desfavorável, reduzindo competitividade frente a exportadores asiáticos.
- Baixa modernização tecnológica em parte do parque fabril, limitando produtividade.
Como a crise têxtil afeta empregos e investimentos
Os efeitos da crise têxtil não se limitam a uma única empresa, alcançando fabricantes de calçados esportivos, fornecedores de denim e confecções em várias províncias. Grupos que operavam múltiplas unidades passaram a concentrar a produção em uma única fábrica, reduzindo presença industrial e provocando cortes de pessoal, suspensões temporárias e fechamento de turnos.

Em uma planta dedicada à montagem de tênis para grandes marcas, o número de empregados vem caindo de forma contínua desde 2025, com fechamento de unidades no interior de Buenos Aires e concentração da atividade em Misiones, com produção garantida apenas por alguns meses. Dados da Federação Argentina da Indústria Têxtil indicam que, em outubro de 2025, a atividade do setor recuou cerca de um quarto em relação ao ano anterior e a utilização da capacidade instalada caiu para pouco mais de 30%, resultando na perda de mais de 16 mil postos formais desde o fim de 2023.
Qual é a saída para a crise têxtil e o que fazer agora
Especialistas apontam que a reversão da crise têxtil depende de políticas que reduzam a assimetria com importados, ampliem o acesso a financiamento e incentivem a modernização tecnológica, além da recomposição gradual do poder de compra. Também ganham força propostas de fortalecer nichos de maior valor agregado, como têxteis técnicos, artigos esportivos com conteúdo tecnológico e produtos voltados à exportação regional, apoiados por programas de qualificação profissional.
Diante de um setor em ajuste profundo, a continuidade de muitas fábricas será decidida nos próximos meses, à medida que governo, empresas e trabalhadores definirem se haverá reação coordenada ou retração definitiva. Este é o momento de pressionar por políticas industriais urgentes, proteger empregos e estimular investimentos: adiar decisões hoje pode significar o fechamento irreversível de mais unidades amanhã, com perda de capacidade produtiva difícil de recuperar.




