A decisão recente da Administração Nacional de Medicamentos, Alimentos e Tecnologia Médica (ANMAT) de cancelar a autorização de Laboratorios Paylos S.R.L. mostra, na prática, como o Estado argentino hoje controla o setor farmacêutico e redefine quem pode ou não permanecer ativo no mercado de medicamentos.
Qual é o papel da ANMAT na regulação do setor farmacêutico?
A ANMAT é a principal autoridade reguladora de medicamentos na Argentina, responsável por autorizar, fiscalizar e, quando necessário, suspender o funcionamento de laboratórios e drogarias. Ela define normas, avalia dossiês de registro e monitora o ciclo de vida dos produtos, em alinhamento crescente com padrões de agências como EMA e FDA.
Entre suas atribuições estão a emissão e renovação de autorizações de funcionamento, o controle do Registro de Especialidades Medicinales (REM) e a aplicação de sanções quando há descumprimento regulatório. Esse trabalho é realizado em conjunto com o Instituto Nacional de Medicamentos (INAME), que conduz inspeções técnicas e avaliações de qualidade in loco.

O que acontece quando um laboratório perde a autorização da ANMAT?
Quando um laboratório perde sua autorização, como ocorreu com Laboratorios Paylos S.R.L., ele fica impedido de oferecer serviços de acondicionamento, importação e exportação de medicamentos, tanto no mercado interno quanto no comércio exterior. Na prática, isso significa a interrupção imediata de qualquer operação formal relacionada a medicamentos.
Essas decisões costumam ser baseadas em pareceres jurídicos e relatórios técnicos que documentam inatividade produtiva, falta de produtos no REM, ausência de direção técnica ativa ou falhas graves em boas práticas de fabricação (GMP). A lógica é simples: sem atividade real e estrutura mínima comprovada, não há justificativa para manter uma habilitação sanitária vigente.
Quais são os principais motivos para o cancelamento de habilitações pela ANMAT?
A perda de habilitação pode decorrer de motivos formais e estruturais, normalmente identificados durante inspeções ou revisões documentais. Recentemente, além de Laboratorios Paylos S.R.L., estabelecimentos como BIOTENK S.A. e Laboratorios Solkotal S.A. foram citados em disposições que apontam falhas graves em instalações, equipe e controles internos.
Em geral, a ANMAT concentra seu foco em fatores que comprometem a segurança sanitária e a confiabilidade da produção, como demonstrado na ofensiva regulatória que levou vários laboratórios e drogarias à perda de registro por inatividade ou descumprimento de requisitos essenciais:
- Inatividade produtiva: ausência de medicamentos aprovados no REM ou falta de evidência de operações efetivas.
- Falta de direção técnica: inexistência de farmacêuticos ou responsáveis técnicos habilitados e presentes.
- Deficiências em qualidade: instalações sem manutenção, equipamentos sem calibração e processos não validados.
- Fragilidade em farmacovigilância: ausência de sistema estruturado para monitorar e notificar reações adversas.

Como o controle da ANMAT influencia a saúde pública e o mercado?
A atuação reguladora da ANMAT impacta diretamente a segurança sanitária e a organização do mercado farmacêutico argentino. Ao cancelar autorizações de empresas inativas ou irregulares, o órgão busca garantir que apenas estabelecimentos com estrutura adequada, produtos registrados e controles robustos possam fabricar, distribuir ou importar medicamentos.
Do ponto de vista da saúde pública, esse filtro reduz o risco de circulação de produtos de origem duvidosa, falhas na cadeia produtiva e ausência de monitoramento de efeitos adversos. Para as empresas, isso se traduz em necessidade constante de investir em equipes qualificadas, sistemas de gestão da qualidade, manutenção de equipamentos e atualização de registros para evitar sanções.
Por que a ofensiva regulatória da ANMAT exige reação imediata do setor?
Ao reforçar sua função de filtro entre a produção de medicamentos e o acesso da população, a ANMAT sinaliza que habilitações não são mera formalidade burocrática, mas um instrumento central de proteção da saúde coletiva. Empresas que não provarem atividade efetiva, conformidade técnica e farmacovigilância ativa correm risco real de exclusão rápida do mercado.
Este é o momento crítico para laboratórios, drogarias e distribuidoras revisarem imediatamente seus registros, estrutura técnica e sistemas de qualidade. Quem agir agora, adequando processos e documentação, terá chance de manter competitividade e permanência regulatória; quem adiar essa revisão pode descobrir tarde demais que perdeu o direito de atuar em um dos setores mais estratégicos para a saúde da população.




