Tomar colágeno para melhorar a pele tornou-se um hábito comum entre pessoas interessadas em retardar os sinais do envelhecimento. Embora a proposta pareça simples — ingerir o suplemento diariamente para obter pele mais firme, hidratada e com menos rugas —, o funcionamento real do colágeno oral no organismo é diferente do que muitas campanhas sugerem, o que torna importante entender seus limites e possibilidades em um contexto mais amplo de cuidados com a pele e estilo de vida.
Como o colágeno atua no organismo após a ingestão
No vídeo que separamos da @Dra. Marina Hayashida é explicado o que a ciência mostra, quem se beneficia de verdade e onde muita gente se engana.
O colágeno é uma proteína de grande tamanho molecular que, ao ser ingerida, não permanece intacta até chegar à pele. No sistema digestivo, ela é quebrada em aminoácidos e pequenos peptídeos, que entram na circulação sanguínea e são utilizados pelo corpo onde houver necessidade, como músculos, ossos, cartilagens e, eventualmente, a pele.
Por esse motivo, não há garantia de que todo o colágeno consumido será direcionado especificamente para o tecido cutâneo. Ainda assim, suplementos com peptídeos de colágeno hidrolisado podem facilitar a absorção intestinal e, em alguns estudos, mostraram potencial para estimular fibroblastos a produzirem novas fibras de colágeno e elastina.
Tomar colágeno melhora visivelmente a pele
Tomar colágeno para melhorar a pele envolve nuances e expectativas realistas quanto ao resultado. Trabalhos científicos com marcas específicas de peptídeos, como Verisol e Peptan, apontam benefícios modestos em parâmetros como hidratação, textura e elasticidade, geralmente percebidos como incrementos sutis.
Essas mudanças não equivalem ao efeito de procedimentos dermatológicos que atuam nas camadas profundas da pele, como lasers, radiofrequência ou bioestimuladores injetáveis. Não há comprovação robusta de que o suplemento produza lifting facial, sustente contornos do rosto ou reverta flacidez já instalada, funcionando mais como complemento de outros cuidados.
Principais tipos de colágeno e doses mais estudadas
A maioria das pesquisas que relacionam colágeno oral e pele utiliza peptídeos específicos padronizados, em doses e formas de apresentação que nem sempre coincidem com produtos comuns do mercado. Esses estudos costumam avaliar períodos de uso contínuo entre 8 e 12 semanas ou mais para observar resultados discretos.
Entre os peptídeos de colágeno hidrolisado mais citados em pesquisas clínicas, destacam-se:
- Verisol – geralmente estudado em doses em torno de 2,5 g por dia;
- Peptan – frequentemente avaliado em quantidades próximas de 10 g diários;
- Outros colágenos hidrolisados, com composições semelhantes, porém menos documentados.
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Quem pode se beneficiar mais do colágeno oral
Alguns perfis parecem se beneficiar mais do uso de colágeno oral quando ele é inserido em uma rotina já estruturada de cuidados. Em geral, o suplemento é visto como um apoio adicional, e não como tratamento principal para rugas ou flacidez, especialmente em peles mais maduras.
Na prática dermatológica, costuma-se considerar o suplemento em pessoas acima dos 50 anos, pacientes em protocolos de estímulo de colágeno (como lasers e microagulhamento) e indivíduos que já adotam fotoproteção, limpeza suave e hidratação adequadas, buscando apenas um reforço discreto na qualidade da pele.
Quando tomar colágeno pode não compensar
O investimento em colágeno em pó ou cápsulas tende a trazer pouco retorno quando hábitos básicos de saúde e cuidado com a pele ainda não estão ajustados. Nessas situações, os fatores de prejuízo diário superam em muito o possível ganho discreto oferecido pelo suplemento oral.
Antes de priorizar o colágeno, é mais eficaz revisar comportamentos que impactam diretamente o envelhecimento cutâneo, como alimentação, sono, exposição solar e tabagismo. Ajustar esses pilares costuma gerar uma melhora muito maior na aparência e saúde da pele.
Qual é o papel da alimentação e do estilo de vida na produção de colágeno

A síntese natural de colágeno pelo organismo depende de uma oferta adequada de proteínas, vitaminas e minerais ao longo do dia. Uma dieta equilibrada, somada a bons hábitos de vida, cria um ambiente metabólico favorável para manutenção das fibras de colágeno e elastina na pele.
Proteínas completas, vitamina C, zinco, cobre e antioxidantes presentes em frutas, verduras e sementes são fundamentais nesse processo. Ao mesmo tempo, uso diário de filtro solar, hidratação tópica, sono de qualidade e controle do estresse ajudam a preservar o colágeno já existente e a reduzir o dano oxidativo nas células.
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Como tomar colágeno de forma mais consciente
Incluir colágeno na rotina com foco na pele exige avaliar se a base de cuidados já está bem estruturada. Isso envolve checar ingestão adequada de proteínas, regularidade na fotoproteção e consistência em hábitos saudáveis, evitando enxergar o suplemento como solução isolada para o envelhecimento cutâneo.
Ao entender que os efeitos do colágeno oral tendem a ser graduais e discretos, é possível alinhar melhor expectativas e decisões de consumo. Consultar um profissional de saúde também ajuda a avaliar indicação, dose, tempo de uso e possíveis associações com outros tratamentos dermatológicos.




