O controle sobre o dinheiro em espécie nas contas bancárias na Espanha ficou bem mais rigoroso nos últimos anos. Hoje, a Agência Tributária e o Banco da Espanha utilizam sistemas digitais que se conectam diretamente aos bancos para acompanhar movimentos relevantes de dinheiro vivo, inclusive de contribuintes comuns, sempre que os valores ou padrões de comportamento fogem do uso normal da conta.
Qual é o limite de dinheiro em espécie monitorado pela Agência Tributária?
O ponto central é o limite de retirada em espécie que passa a chamar a atenção da administração. Um marco importante são os 3.000 euros: a partir desse valor, qualquer saque em dinheiro é comunicado automaticamente pelas entidades bancárias ao Banco da Espanha, criando um rastro documental.
Essa comunicação não significa acusação de evasão ou fraude, mas funciona como um alerta preventivo. Se a Receita Federal espanhola considerar necessário, poderá pedir esclarecimentos e exigir documentos que comprovem a origem do dinheiro e a finalidade do saque em espécie.

Como funciona o controle de dinheiro em espécie no Brasil em 2026?
No Brasil, em 2026, o controle sobre movimentações em dinheiro vivo segue diretrizes do Banco Central (BC) e do COAF. Não existe um valor único que impeça análise, mas há réguas de controle objetivas e sistemas automáticos que cruzam valor, frequência e perfil do cliente, inclusive com dados de imposto de renda.
As instituições financeiras precisam reportar operações de valor elevado e também movimentações atípicas em relação à renda e à atividade econômica, mesmo abaixo dos limites formais. Nesse cenário, alguns pontos merecem atenção especial pelo risco de comunicação automática aos órgãos de controle:
- Comunicação automática a partir de R$ 50.000 em saques ou depósitos em espécie em um mesmo dia ao COAF.
- Aviso prévio ao banco para saques próximos ou acima de R$ 50.000, por razões de segurança e logística.
- Monitoramento de fracionamento (“smurfing”) por meio de vários saques pequenos e repetidos que, somados, formam montantes elevados.
- DME – Declaração de Operações Liquidadas em Espécie obrigatória para recebimentos de R$ 30.000 ou mais fora do sistema bancário.

Como funciona o controle sobre retiradas a partir de 1.000 euros?
Abaixo dos 3.000 euros, outro valor relevante é o de 1.000 euros, a partir do qual os bancos costumam exigir identificação formal em operações em dinheiro. Embora essas informações geralmente já constem do cadastro do cliente, a instituição pode registrar o motivo do movimento ou pedir mais detalhes se o padrão da conta parecer atípico.
Mais do que o número exato, o que pesa é o caráter suspeito ou não do movimento. Saques repetidos de 1.000 euros em poucos dias podem sugerir fracionamento para escapar do controle automático, acionando mecanismos internos de prevenção à lavagem de dinheiro e aumentando o nível de vigilância sobre aquela conta.
Por que saques frequentes de 3.000 euros geram tanta atenção?
Sacar 3.000 euros em espécie de forma pontual para uma compra ou despesa específica normalmente não causa problemas, desde que o titular consiga provar a legalidade dos recursos. O cenário muda quando esse valor se repete com frequência, criando um padrão de saques elevados que destoa do uso habitual da conta.
Os bancos utilizam sistemas automáticos que analisam recorrência, volume e perfil do titular. Quando alguém movimenta 3.000 euros quase todos os dias, o total mensal em dinheiro vivo dispara, o que pode gerar alertas internos, comunicações à Agência Tributária e pedidos formais de documentos comprobatórios da origem e do destino do dinheiro.
Como evitar problemas com dinheiro em espécie e agir antes do Fisco?
Quem declara corretamente os rendimentos e movimenta fundos de origem lícita tem meios simples de comprovar essa regularidade, como contratos, notas fiscais, declarações de imposto de renda e extratos bancários claros. Planejar saques de maior valor, respeitar limites legais e combinar o uso de dinheiro físico com meios eletrônicos reduz drasticamente o risco de questionamentos e multas.
Se você pretende movimentar quantias maiores em espécie na Espanha ou no Brasil, não espere ser surpreendido por uma notificação do Fisco. Converse com o seu banco ou com um consultor tributário imediatamente, ajuste sua estratégia financeira hoje mesmo e garanta que, quando a Receita fizer perguntas, você já tenha todas as respostas e comprovantes em mãos.




