Quando se fala em “cidade mais fria do Brasil”, muita gente nem imagina que esse título pertence a um pequeno município na Serra Catarinense. Entre araucárias, manhãs silenciosas e termômetros teimosamente baixos, Urupema transformou o frio em marca registrada, rotina e atração turística, guardando histórias, fenômenos raros e costumes criados justamente para enfrentar o clima extremo.
Urupema é mesmo a cidade mais fria do Brasil?
Urupema fica em Santa Catarina, a mais de 1.300 metros de altitude, cercada por campos e florestas de araucárias. Com pouco mais de dois mil moradores, o município tem ritmo de cidade pequena, ruas tranquilas e aquela sensação de todo mundo se conhecer.
Reconhecida oficialmente como Capital Nacional do Frio, Urupema se destaca por ter uma das menores médias anuais de temperatura do país. Em muitos invernos, as mínimas negativas se repetem vários dias seguidos, e amanhecer com relva branca e carro coberto de gelo vira parte do cenário cotidiano.
| Recordes históricos de frio e curiosidades climáticas de Urupema (SC) | |
|---|---|
| Mínima extrema registrada | O recorde histórico em áreas urbanas de Urupema é de -8,9°C. No Morro das Torres, ponto mais alto do município, já foram registrados valores próximos de -10°C, com sensação térmica ainda mais baixa devido aos ventos intensos. |
| Recorde recente | Em junho de 2025, Urupema marcou -8,2°C, sendo oficialmente a menor temperatura registrada no Brasil naquele ano. |
| Frequência de geadas | O município registra, em média, mais de 50 geadas por ano, fator que influencia diretamente a agricultura, a rotina dos moradores e o turismo de inverno. |
Quais fenômenos de frio tornam Urupema tão especial?
Além do frio constante, Urupema é marcada pelos efeitos visuais que o clima provoca na paisagem, como geadas intensas e ocasionais quedas de neve em pontos mais altos. Essas cenas atraem curiosos e fotógrafos dispostos a encarar o vento cortante para registrar o momento.
Um fenômeno que desperta ainda mais curiosidade é o sincelo, quando gotículas de umidade congelam empurradas pelo vento, formando cristais de gelo em apenas um lado de árvores, postes e cercas. O resultado é uma “casca” branca delicada, frequentemente confundida com neve, mas com aparência própria.
Selecionamos o vídeo do Diogo Elzinga que faz sucesso no YouTube e fala sobre essa cidade incrível:
Por que a Cascata que Congela é um grande símbolo de Urupema
Entre os cartões-postais mais famosos está a Cascata que Congela, que em ondas intensas de frio tem a água transformada em blocos e filetes de gelo. Para um país acostumado a praias e rios correndo livres, ver uma cachoeira imobilizada é algo que foge completamente do padrão.
Quando esse cenário aparece, ele vira destaque em redes sociais e na imprensa, e alguns elementos ajudam a entender por que o lugar se tornou tão marcante para visitantes e moradores:
- Formação de estruturas de gelo em camadas, lembrando esculturas naturais.
- Temperaturas tão baixas que a água permanece sólida por horas seguidas.
- Contraste entre o branco do gelo e o verde da vegetação típica da Serra Catarinense.
- Presença de viajantes em busca de registros fotográficos raros no contexto brasileiro.
Como o frio molda a vida, a história e a natureza em Urupema
O frio intenso interfere na organização das casas, no planejamento do inverno e até na forma de cozinhar. O fogão à lenha costuma ser o centro da residência, aquecendo os ambientes, garantindo água quente e permitindo refeições longas, enquanto estocar lenha vira um verdadeiro “projeto de inverno” para muitas famílias.
Muito antes da fama atual, a região já era ocupada por povos indígenas que enfrentavam o clima em casas subterrâneas, escavadas no solo para manter a temperatura mais estável. O nome “Urupema” tem origem indígena, ligado a objetos trançados, e hoje dialoga com a floresta de araucárias, que abriga mais de 300 espécies de aves, como o papagaio-charão, além de práticas rurais tradicionais, como a queima controlada de pastagens.

Como o frio aparece na gastronomia e na cultura de Urupema
Em um lugar onde o termômetro insiste em ficar lá embaixo, a comida ganha papel estratégico: aquecer, fortalecer e reunir pessoas em torno do fogão. As trutas arco-íris, criadas em águas frias e limpas, são estrelas de receitas que valorizam a qualidade da água e o sabor típico da serra.
Outro destaque é a rosca de coalhada, feita com leite azedo e polvilho, mostrando adaptações inteligentes ao clima e aos recursos locais. Se você quer sentir de perto como o frio pode moldar arquitetura, rotina, sabores e memórias, não deixe essa experiência para depois: planeje sua viagem a Urupema agora e viva a cidade mais fria do Brasil enquanto o inverno ainda está em cena.




