Fuggerei, criada em 1521 na Alemanha, segue ativa em 2026 cobrando aluguel simbólico de 0,88 euro ao ano. O conjunto social mais antigo do mundo funciona com regras próprias e é sustentado por turismo cultural.
Em plena crise imobiliária global, a Fuggerei, na Alemanha, desafia a lógica do mercado ao cobrar um aluguel simbólico há mais de 500 anos. Criada em 1521, ela segue ativa em 2026 como um experimento único de moradia acessível e filantropia sustentável.
O que é a Fuggerei e por que ela ainda existe?
A Fuggerei de Augsburg é considerada o conjunto habitacional social mais antigo do mundo ainda em funcionamento. Criada no século XVI, ela mantém regras originais que garantem moradia digna a trabalhadores vulneráveis, sem depender do Estado ou de subsídios públicos.
Segundo historiadores urbanos, o segredo da longevidade está no modelo financeiro estável e na gestão privada feita pela Fundação Fugger. O local funciona como uma vila murada, com casas padronizadas, igreja própria e regras rígidas de convivência.

Quem foi Jakob Fugger e qual era sua ideia original?
Para entender o projeto, é essencial conhecer o ideal de seu fundador. Jakob Fugger, conhecido como “O Rico”, criou um sistema de ajuda baseado em disciplina e autonomia, como mostram os pontos centrais a seguir.
- Fundador Jakob Fugger: banqueiro dos papas e imperadores, com fortuna equivalente a bilhões atuais.
- Objetivo social: oferecer moradia barata para evitar mendicância e exclusão social.
- Ajuda com responsabilidade: apoio financeiro sem esmolas, focado em reconstrução da dignidade.
Por que o aluguel custa apenas 0,88 euro por ano?
O valor simbólico da moradia social na Alemanha vem da conversão direta de 1 Florim Renano, moeda usada em 1521. Em valores atuais, isso equivale a aproximadamente 0,88 euro anuais, sem qualquer reajuste inflacionário ao longo dos séculos.
A fundação mantém o contrato original intacto há mais de 500 anos. Especialistas em economia histórica destacam que, se houvesse correção monetária ou juros compostos, o aluguel seria inviável, quebrando o princípio central do projeto.

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Quais regras os moradores precisam seguir para viver lá?
Morar na Fuggerei exige mais do que pagar aluguel simbólico. As normas preservam o caráter comunitário e espiritual do bairro, como mostram curiosidades práticas e regras incomuns listadas a seguir.
- Orações diárias obrigatórias: Pai-Nosso, Ave Maria e Credo pela alma de Jakob Fugger.
- Perfil dos moradores: católicos, residentes em Augsburg e sem dívidas financeiras.
- Toque de recolher noturno: portões fecham às 22h, com multa para atrasos.
Como o turismo sustenta a Fuggerei em 2026?
O modelo financeiro atual combina tradição e pragmatismo. A sustentabilidade da Fuggerei depende principalmente do turismo cultural, já que visitantes pagam para entrar e conhecer o bairro histórico durante o dia.
Na prática, um único ingresso turístico equivale a vários anos de aluguel de um morador. Esse paradoxo garante recursos para manutenção, preservação arquitetônica e independência financeira, provando que filantropia pode ser duradoura quando bem administrada.
A Fuggerei segue como prova viva de que regras claras, gestão sólida e visão de longo prazo podem transformar um gesto social do século XVI em uma solução habitacional admirada no mundo inteiro.



