Em condomínios residenciais no Brasil, o tema “silêncio” continua sendo um dos principais motivos de conflito em 2025 e 2026. Em vez de uma única “Lei do Silêncio”, há um conjunto de normas técnicas, leis federais, municipais e regras internas que, somadas, definem o que é barulho excessivo, quais são os limites de ruído e as consequências para quem ultrapassa esses padrões na convivência em prédios com paredes compartilhadas e áreas comuns.
Como o barulho afeta os contratos de locação em 2026
Em 2026, a relação entre barulho e contratos de locação é regida principalmente pela Lei do Inquilinato (Lei 8.245/91), que impõe deveres rígidos a locador e locatário. O artigo 23 obriga o inquilino a cumprir integralmente a convenção de condomínio e o regulamento interno, incluindo regras sobre silêncio, horários de obras e uso de áreas comuns.
Quando o barulho excessivo é recorrente e gera notificações e multas, configura infração contratual grave. Nesses casos, o proprietário pode propor ação de despejo e pedir a rescisão do contrato sem pagar multa rescisória, cabendo ao locatário arcar com a multa contratual de saída antecipada e eventuais indenizações. Já as multas aplicadas pelo condomínio por ruído são, em regra, de responsabilidade do locatário, que deve ressarcir o proprietário sempre que o valor vier lançado no boleto condominial.
Quais são os direitos do inquilino e do proprietário diante de barulho de vizinhos
O barulho em condomínios nem sempre parte do próprio inquilino; muitas vezes ele é vítima de ruídos vindos de vizinhos, áreas comuns ou estabelecimentos próximos. Nessa situação, ganha destaque o dever do locador, previsto no artigo 22 da Lei do Inquilinato, de garantir ao inquilino o uso pacífico do imóvel durante toda a locação.
Se o inquilino comunica formalmente o problema e o proprietário ou imobiliária nada fazem, pode haver rescisão indireta do contrato, sem multa para o locatário, especialmente quando o imóvel se torna praticamente inabitável por barulho crônico. Em casos em que o locador já sabia de histórico grave de ruídos e omitiu essa informação, é possível discutir danos materiais e morais. Em decisões mais recentes, a Justiça também tem reconhecido a responsabilidade solidária do proprietário por danos morais causados por inquilino barulhento, quando há ciência reiterada e ausência de qualquer tentativa de correção.
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Quais são os limites de barulho em condomínios em 2026
A discussão sobre barulho em condomínios costuma ter como referência técnica a NBR 10.151 da ABNT, que trata da avaliação de ruído em áreas habitadas. Em zonas predominantemente residenciais, a norma indica, em regra, até 55 decibéis no período diurno (entre 7h e 20h) e 50 decibéis no período noturno (entre 20h e 7h), embora alguns municípios adotem parâmetros ainda mais baixos.
Na prática do dia a dia, porém, raramente há medidor de ruído à disposição, e a avaliação é feita pelo bom senso e pela noção de “razoável” para o horário e ambiente. Sons como música alta, festas prolongadas, obras fora do horário, gritos e latidos constantes tendem a ser enquadrados como ruído excessivo, considerando-se frequência, duração, intensidade e impacto na rotina dos vizinhos, mesmo em horários tradicionalmente considerados “permitidos”.
Lei do silêncio, perturbação do sossego e regras internas
Do ponto de vista jurídico, o Brasil não possui uma lei federal única chamada “Lei do Silêncio”. O que existe é a Lei de Contravenções Penais, especialmente o artigo 42, sobre perturbação do trabalho ou do sossego alheio, válida para qualquer horário, além das regras do Código Civil sobre uso da unidade de forma não prejudicial ao sossego, salubridade e segurança dos demais moradores.
As convenções condominiais, regimentos internos e leis municipais complementam esse cenário, definindo horários para obras, mudanças, festas, uso de áreas comuns e parâmetros de poluição sonora. Em muitas cidades, programas de fiscalização específicos para ruído e normas ambientais atualizadas reforçam esse mosaico, criando um conjunto de obrigações que variam de lugar para lugar e que podem gerar advertências, multas condominiais, multas administrativas, ações cíveis e até responsabilização penal

Como agir diante de barulho em condomínios e quando buscar ajuda
Diante de conflitos por ruído, é essencial agir com estratégia e registrar tudo de forma organizada, pois a formalização fortalece qualquer medida interna ou judicial. Em geral, recomenda-se uma escalada progressiva de ações, começando pela via condominial e, se necessário, avançando para autoridades públicas e o Judiciário.
Alguns passos práticos ajudam a proteger seus direitos e a construir provas consistentes:
- Registrar internamente: usar livro de ocorrências, e-mails ou aplicativos do condomínio, anotando datas, horários e tipo de barulho.
- Acionar o síndico: solicitar advertências e multas, e, se preciso, a convocação de assembleia, conforme o regimento interno.
- Contactar autoridades: em situações graves ou recorrentes, acionar a Polícia Militar (190) e órgãos municipais de fiscalização de ruído.
- Buscar apoio jurídico: consultar advogado ou defensoria para ações de obrigação de não fazer, liminares e pedidos de indenização.
Conviver com barulho crônico não é normal nem inevitável, e adiar a solução tende a piorar o problema para todos no prédio. Se você está enfrentando situação de ruído abusivo no condomínio, comece a registrar hoje mesmo, procure o síndico e, se não houver resposta efetiva, busque orientação jurídica urgente para garantir o seu sossego e a proteção dos seus direitos.




