Em Minas Gerais, a cidade histórica de Santa Bárbara reúne igrejas seculares, mel premiado, artesanato cheio de identidade e um distrito que parece ter parado no tempo. Pequena, tranquila e cercada por morros e áreas verdes, ela mostra em cada esquina como o passado ainda conversa com o presente de um jeito bem mineiro, simples e surpreendente.
Santa Bárbara é pequena no mapa, mas grande em histórias
Santa Bárbara fica a cerca de 90 quilômetros de Belo Horizonte e tem pouco mais de 30 mil moradores espalhados por um território amplo, com vilas históricas e paisagens naturais. Fundada em 1704 como arraial do ciclo do ouro, cresceu com a mineração, que atraiu gente de várias partes da colônia para o interior de Minas Gerais.
Quando o brilho do ouro diminuiu, a cidade não desapareceu: o traçado das ruas, o tamanho das praças e o tipo de construção revelam como a mineração organizou a vida local. Hoje, Santa Bárbara funciona quase como um arquivo a céu aberto da formação mineira, combinando memória, trabalho, fé e costumes que ainda preservam hábitos antigos.
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O centro histórico e as igrejas revelam a formação social da cidade
No centro histórico, a sensação é de que o tempo anda devagar, com ruas estreitas, fachadas alinhadas e casas coloridas típicas das antigas vilas coloniais. Muitos prédios tiveram papel decisivo na vida política e social, como o antigo edifício que foi Câmara e Cadeia, com celas embaixo e decisões políticas no andar de cima, hoje transformado em Museu Antoniano.
As igrejas reforçam o título de cidade histórica de Minas, com templos erguidos por irmandades e confrarias formadas desde o século XVII. A Matriz de Santo Antônio, iniciada no começo do século XVIII, reúne base em pedra, paredes de adobe, estrutura em madeira e altares dourados, misturando barroco luso-brasileiro, barroco joanino e rococó em um verdadeiro painel da arte sacra mineira.
Quais igrejas ajudam a entender fé, arte e diferenças sociais
Outros templos completam esse mapa da fé e das relações sociais, revelando quem frequentava cada espaço, quais devoções eram mais fortes e como os estilos mudaram ao longo dos séculos. A posição de cada igreja no relevo urbano e a escolha dos padroeiros também indicam distinções de origem social, profissão e cor.

Alguns desses templos se destacam por características que chamam atenção e ajudam a decifrar a história religiosa e artística de Santa Bárbara:
- Igreja de Nossa Senhora das Mercês: mistura elementos de transição entre o rococó e o neoclássico, marcando mudança de gosto artístico.
- Capela da Arquiconfraria do Cordão de São Francisco: de 1782, com adro elevado e escadaria de pedra que unem função prática e impacto visual.
- Igreja de Nossa Senhora do Rosário: iniciada em meados do século XVIII, tombada em níveis municipal e estadual, conhecida pelo piso restaurado e antigos corredores de lajes de pedra.
Como o mel, o artesanato e Brumal mantêm viva a identidade local
Santa Bárbara é também a cidade natal de Afonso Pena, primeiro presidente da República nascido em Minas, cuja antiga casa hoje guarda documentos sobre sua trajetória e projetos de integração do território brasileiro. Na economia, o mel ganhou destaque desde o século XIX, consolidando o apelido de “cidade do mel” graças à combinação de floradas silvestres e eucalipto.
No distrito de Brumal, fundado em 1704 e com cerca de dois mil moradores, o passado minerador divide espaço com um modo de vida simples e muito ligado à memória local. O chafariz de pedra-sabão de 1898 ainda fornece água potável, enquanto o artesanato em palha de milho, como as bonecas criadas por Maria Lúcia, transforma o ciclo do milho em peças que representam o campo, a religiosidade e o cotidiano rural.
Veja um resumo sobre os pontos turísticos de Santa Bárbara:
| Categoria | Local / Atração | Destaque cultural ou natural |
|---|---|---|
| Patrimônio histórico | Igreja Matriz de Santo Antônio | Pinturas no teto atribuídas a Mestre Ataíde e altares com talha dourada e policromia do período colonial. |
| Patrimônio histórico | Memorial Affonso Penna | Museu instalado na casa natal do ex-presidente, com mobiliário original e documentos históricos. |
| Patrimônio histórico | Igreja de Nossa Senhora do Rosário | Monumento tombado pelo IPHAN que representa a fé e a arquitetura do século XVIII. |
| Cultura e memória | Casa da Cultura | Casarão colonial que funciona como centro cultural e biblioteca, preservando a história local. |
| Natureza e ecoturismo | Santuário do Caraça | Trilhas, cachoeiras e a tradicional visita noturna do lobo-guará nas escadarias da igreja. |
| Natureza e aventura | Cachoeira Capivari | Queda d’água alta com acesso por trilhas exigentes, indicada para quem busca contato intenso com a natureza. |
| Patrimônio histórico-natural | Bicame de Pedra | Ruínas de aqueduto do século XVIII, construído por escravos, marco da engenharia colonial. |
| Relaxamento e bem-estar | Vila de Santa Bárbara (Augusto de Lima) | Conhecida pelas águas termais e lago termal, ideal para descanso em períodos de clima frio. |
Como tradição, arte e sabores convidam a viver Santa Bárbara agora
Na área urbana, a Casa da Cultura abriga a cerâmica urbana inspirada no centro histórico, na fauna e na flora, mostrando que a cidade histórica também é espaço de criação contemporânea. Em Brumal, a Casa das Tecelãs reúne mulheres em torno da tecelagem, bordado, crochê e costura criativa, garantindo renda, autonomia feminina e a continuidade de técnicas ancestrais, enquanto bares tradicionais e pratos como farofa de banana-da-terra mantêm o sabor da memória.
Santa Bárbara e Brumal formam um território onde política, fé, mel, artesanato, comida e histórias de gente comum se entrelaçam em camadas vivas. Se você quer sentir tudo isso de perto, planeje sua viagem agora mesmo: cada dia que passa é um dia a menos para caminhar por essas ruas, provar esse mel e ouvir as histórias que só quem vai até lá consegue realmente entender.




