O TJMG condenou Minas Gerais por falhas de proteção em incêndio criminoso que matou três crianças em Presidente Olegário. A decisão reconheceu omissão estatal e fixou indenização, com danos morais e pensão mensal aos pais.
A condenação do Estado de Minas Gerais pelo incêndio criminoso que matou três crianças em Presidente Olegário reforça um princípio central do direito brasileiro: quando o poder público falha na proteção da vida, surge o dever de indenizar as vítimas.
O que aconteceu no caso que chocou Presidente Olegário?
O incêndio ocorreu quando um vizinho ateou fogo na residência com três crianças dentro. O crime ganhou repercussão nacional pela brutalidade e levou a família das vítimas a buscar reparação na esfera cível.
Ao analisar o processo, o TJMG concluiu que a tragédia não se limitou ao ato individual, mas envolveu falhas estruturais do Estado na vigilância e resposta preventiva a pessoas com histórico de periculosidade.

Qual foi o fundamento jurídico usado pelo TJMG?
A decisão se baseou na aplicação direta da responsabilidade civil do Estado, prevista na Constituição. O entendimento foi consolidado a partir dos elementos jurídicos a seguir.
- Responsabilidade objetiva: o Estado responde independentemente de culpa por falhas no serviço público.
- Omissão estatal: ausência de vigilância eficaz diante de risco conhecido.
- Dano moral presumido: perda de filhos gera sofrimento incontestável aos pais.
Como a Justiça calculou a indenização da família?
A condenação não envolve apenas um valor simbólico. O tribunal fixou indenização por danos morais individuais e pensão mensal baseada na expectativa de contribuição futura das crianças à família.
O cálculo considera fases distintas da vida projetada, com percentuais diferentes do salário mínimo, reconhecendo que filhos tendem a auxiliar financeiramente os pais a partir da adolescência.

Quais valores e obrigações foram definidos na sentença?
Além da indenização principal, a decisão detalha pagamentos contínuos e critérios de atualização monetária, conforme os pontos práticos abaixo.
- Danos morais: aproximadamente R$ 150 mil para cada genitor por filho perdido.
- Pensão mensal: dois terços do salário mínimo até os 25 anos projetados.
- Pensão reduzida: um terço do salário mínimo até a idade-limite estimada.
Por que essa condenação cria um precedente importante?
A decisão reforça que o Estado é o garantidor da segurança coletiva e não pode se omitir diante de riscos previsíveis. A falha na prevenção quebra a confiança entre cidadão e poder público.
O precedente também estimula políticas de prevenção, monitoramento e resposta rápida, além de orientar outras famílias a buscarem reparação quando houver omissão estatal em crimes evitáveis.



