Pesquisas em psicologia familiar indicam que dois terços dos pais sentem maior afinidade por um filho. Fatores como personalidade, valores e ordem de nascimento influenciam vínculos e podem impactar ansiedade e bem-estar emocional na vida adulta.
A ideia de que pais amam todos os filhos igualmente é comum, mas pesquisas mostram nuances importantes. Estudos em psicologia familiar indicam que afinidades emocionais e valores compartilhados influenciam vínculos, afetando o bem-estar dos filhos ao longo da vida adulta.
Os pais realmente amam todos os filhos da mesma forma?
Pesquisas lideradas pela socióloga J. Jill Suitor, da Universidade de Purdue, mostram que cerca de dois terços dos pais demonstram maior afinidade com um filho específico. Isso não significa falta de amor, mas diferenças na forma como os vínculos emocionais são construídos.
Segundo os estudos, o favoritismo parental costuma ser sutil e nem sempre consciente. Gestos cotidianos, atenção dedicada e confiança emocional variam conforme a identificação entre pais e filhos, criando percepções distintas dentro da mesma família.

Quais fatores mais influenciam o favoritismo dos pais?
A ciência aponta padrões recorrentes que ajudam a entender essas preferências emocionais, revelando que elas vão além de sucesso ou desempenho escolar. Entre os principais fatores observados nas pesquisas estão os que você vê a seguir.
- Gênero e ordem de nascimento: filhas e irmãos mais novos tendem a ser mais favorecidos.
- Personalidade semelhante: filhos mais dóceis e organizados geram menos conflitos.
- Valores compartilhados: afinidade em crenças e visão de mundo fortalece o vínculo.
Como o favoritismo impacta a saúde emocional dos filhos?
O sentimento de ser menos favorecido afeta diretamente a saúde mental. A pesquisa de Suitor, que acompanhou mais de 550 famílias por décadas, associa relações parentais frágeis a maiores índices de ansiedade e depressão na vida adulta.
Na adolescência, a percepção de desigualdade pode estimular comportamentos de risco, como consumo de álcool e tabaco. Esses efeitos, segundo os dados, podem ser mais determinantes para a felicidade futura do que renda ou escolaridade.

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O que explica a preferência por valores e não por sucesso?
Diferente do senso comum, desempenho acadêmico ou profissional não define o favoritismo. Pesquisas indicam que a similaridade de valores cria sensação de compreensão mútua, levando pais a se sentirem emocionalmente mais próximos de um filho específico.
- Valores religiosos e políticos: alinhamento fortalece a sensação de identidade comum.
- Interpretação de erros: pais tendem a relevar falhas de filhos com quem se identificam.
- Comunicação emocional: conversas fluem melhor quando há visão de mundo parecida.
Como lidar com o favoritismo e preservar a harmonia familiar?
Especialistas como Alex Jensen, da Brigham Young University, destacam que reconhecer diferenças é o primeiro passo. Aceitar que afinidades variam ajuda a reduzir ressentimentos e a construir relações mais equilibradas entre pais e irmãos.
Focar em valores compartilhados, manter contato frequente e fortalecer o vínculo entre irmãos são estratégias eficazes. Com o tempo, essas conexões se tornam uma das principais fontes de apoio emocional, superando mágoas do passado.




