Um estudo recente apresentado no congresso da Sociedade Radiológica da América do Norte ressalta que a distribuição da gordura corporal pode ser mais determinante para a saúde cardiovascular do que o peso total do corpo. A pesquisa destacou especialmente o impacto do acúmulo de Gordura abdominal, frequentemente chamado de “barriga de chope”, e sua associação com alterações na estrutura do coração. Este estudo avaliou homens e mulheres entre 46 e 78 anos, estabelecendo uma relação entre a Gordura abdominal e o remodelamento cardíaco, que pode ser prejudicial.
Os participantes passaram por exames de ressonância magnética para análise de alterações cardíacas, comparando o índice de massa corporal (IMC) com a relação cintura-quadril. Este último, que mensura a concentração de gordura na região abdominal, mostrou-se mais associado a mudanças estruturais no coração do que o IMC, revelando preocupações maiores. A gordura visceral é destacada por sua ação metabólica ativa, podendo alterar processos inflamatórios e afetar a saúde cardiovascular.
Qual o impacto da obesidade abdominal sobre o coração?
A obesidade abdominal está intimamente ligada ao acúmulo de gordura visceral, a qual envolve órgãos como o fígado. Diferentemente da gordura subcutânea, a visceral é metabolicamente ativa, liberando substâncias inflamatórias na circulação. Esse processo cria um estado de inflamação crônica, que pode desencadear resistência à insulina, alterações no colesterol e aumentar a pressão arterial, sobrecarregando o coração.
Conforme a relação cintura-quadril aumenta, ocorre um espessamento do músculo cardíaco, especialmente no ventrículo esquerdo, reduzindo o espaço interno das cavidades. Isto compromete a capacidade do coração de bombear o sangue eficientemente, podendo levar a um tipo de insuficiência cardíaca silenciosa. Na prática, o coração continua a contrair adequadamente, mas não acomoda bem o sangue, prejudicando a circulação de oxigênio e nutrientes.
Como o IMC e a relação cintura-quadril afetam a avaliação do risco cardiovascular?
Embora o IMC seja amplamente utilizado para avaliar a obesidade, ele não diferencia entre massa muscular e gordura, nem indica a localização da gordura corporal. Assim, duas pessoas com mesmo peso e IMC podem apresentar riscos cardiovasculares distintos, caso uma possua maior acúmulo de gordura abdominal. O estudo mostrou que indivíduos com IMC elevado, mas sem significativa gordura abdominal, apresentaram aumento do tamanho das câmaras cardíacas, sem o mesmo espessamento muscular observado em pessoas com alta relação cintura-quadril.

Em resumo, a relação cintura-quadril fornece informações mais relevantes sobre o risco cardiovascular, focando na gordura central que está diretamente associada ao remodelamento cardíaco deletério. Isso destaca a importância de incluir medidas básicas, como a circunferência da cintura, no monitoramento da saúde cardiovascular.
Por que a gordura abdominal representa um risco diferente para homens e mulheres?
Diferenças na distribuição de gordura entre homens e mulheres podem explicar a variabilidade no risco cardiovascular associado à obesidade abdominal. Homens geralmente acumulam mais gordura androide no abdômen, enquanto mulheres, antes da menopausa, tendem a armazenar gordura ginoide em quadris e coxas, que é menos perigosa metabolicamente.
Os hormônios também desempenham papel significativo; o estrogênio nas mulheres oferece proteção cardiovascular, ao menos até a menopausa. Com sua diminuição nessa fase, o risco feminino pode se equiparar ao masculino. Adicionalmente, os homens apresentam maior inflamação sistêmica associada à gordura visceral, acelerando as mudanças estruturais do coração.
Reforçar a avaliação do risco cardiovascular e adotar medidas preventivas, incluindo exercícios físicos regulares e alimentação balanceada, pode ajudar a mitigar os efeitos da gordura visceral. Medir a circunferência da cintura e a relação cintura-quadril são passos simples, mas eficazes, para se obter uma noção mais clara do risco cardiovascular, conforme orientam a Sociedade Brasileira de Cardiologia e a Organização Mundial da Saúde.
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Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
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