Erro no cruzamento automático do INSS suspendeu pela quarta vez o benefício de idoso de 97 anos, confundido com irmão gêmeo falecido. A falha expõe limites da automação, gera cortes indevidos e pode resultar em indenização.
Um erro recorrente do INSS gerou indignação nacional em 2026 ao suspender, pela quarta vez, o benefício de um idoso de 97 anos dado como morto. O caso expõe falhas na automação previdenciária e riscos reais para segurados vulneráveis.
Por que o INSS declarou vivo como morto novamente?
O problema surgiu do cruzamento automático de dados feito pelo sistema digital do INSS com registros de óbito. Ao identificar informações semelhantes, o algoritmo vinculou o falecimento ao CPF errado, mesmo existindo documentos distintos e situação ativa comprovada.
No caso específico, o segurado possui um irmão gêmeo falecido. Como nomes parentais e datas de nascimento coincidem, a tecnologia não conseguiu diferenciar corretamente as identidades, revelando limites claros da biometria quando aplicada sem validação humana.

Quais fatores levam o sistema a cometer esse erro?
Especialistas apontam que o erro decorre da chamada confluência de dados sensíveis, comum em casos de irmãos gêmeos. Quando várias informações coincidem, o algoritmo tende a assumir um vínculo incorreto, como mostram os fatores listados a seguir.
- Filiação idêntica: nomes de pai e mãe exatamente iguais nos registros civis.
- Data de nascimento igual: nascimento no mesmo dia e ano confunde o cruzamento automático.
- Nome semelhante: pequenas variações não são suficientes para o sistema diferenciar CPFs.
Como isso afeta a família e a saúde do segurado?
A cada bloqueio, a família precisa levar o idoso presencialmente a uma agência para provar que ele está vivo. Aos 97 anos, o deslocamento frequente agrava riscos à saúde física e emocional, transformando um erro técnico em sofrimento humano.
Além do desgaste, a suspensão do benefício compromete a compra de medicamentos e itens básicos. A reincidência mostra que o sistema não aprende com correções manuais, repetindo o erro a cada nova varredura automática de dados.

O que fazer se o INSS cortar benefício por erro de óbito?
Quando ocorre a suspensão indevida por suposto falecimento, o segurado deve agir rapidamente em várias frentes para reverter o erro e garantir seus direitos, conforme as medidas práticas listadas a seguir.
- Recurso administrativo: solicitar reativação do benefício por erro de óbito no Meu INSS ou pelo 135.
- Prova de vida presencial: comparecer ao banco ou agência do INSS para confirmação física.
- Ação judicial: ingressar no Juizado Especial Federal por danos morais e valores atrasados.
O Estado pode ser responsabilizado por esse tipo de falha?
Juridicamente, o INSS responde de forma objetiva pelos danos causados por falhas sistêmicas. A Justiça entende que o cidadão não pode arcar com consequências de um erro tecnológico criado pelo próprio Estado.
Em casos de reincidência, tribunais têm fixado indenizações por danos morais entre R$ 10 mil e R$ 30 mil, além do pagamento imediato dos valores atrasados. A decisão reforça que tecnologia deve servir ao cidadão, não colocá-lo em risco.




