Entre a serra e o mar, no litoral norte do Rio Grande do Sul, Morrinhos do Sul vem ganhando fama entre viajantes que buscam lugares fora do óbvio. Apelidada de “Jalapão Gaúcho”, a cidade mistura natureza intensa, histórias curiosas, agricultura familiar forte e um estilo de vida tranquilo, em que o tempo ainda gira em torno do campo, da água e da convivência entre as pessoas.
O que torna Morrinhos do Sul um destino tão diferente?
Com cerca de 3 mil habitantes, Morrinhos do Sul está em uma área rara de transição entre litoral e serra. Em poucos quilômetros, o relevo passa da planície às formações de morros, vales e paredões, oferecendo vistas em que campo, lagoas, cidades litorâneas e o Atlântico aparecem no mesmo horizonte.
Estradas de chão cruzam propriedades rurais, o verde domina a paisagem e quase toda curva revela um novo cenário. A cidade não foi planejada como produto turístico e, justamente por isso, desperta curiosidade em quem busca experiências mais autênticas, sem a lógica dos grandes destinos de massa. O turismo em Morrinhos do Sul (RS) em 2026 consolida-se como um dos principais destinos, veja abaixo algumas experiências para aproveitar:
Como a origem vulcânica moldou o Jalapão Gaúcho?
A região integra um antigo conjunto de derrames de lava e fissuras vulcânicas que, milhões de anos atrás, criaram a base rochosa que hoje sustenta morros, cânions e vales. Entre as marcas mais visíveis estão os diques vulcânicos, veios de basalto conhecidos como pedra-ferro, que aparecem na superfície como “espinhas dorsais” de pedra.
Ao longo do tempo, a erosão desgastou as rochas mais frágeis e deixou expostas essas estruturas densas, muitas vezes lembrando troncos de madeira enfileirados. O resultado é um cenário perfeito para estudo ao ar livre, onde o passado geológico se revela em trilhas, estradas e áreas de cultivo, ajudando a explicar o relevo acidentado da região.
Selecionamos o vídeo do Diogo Elzinga que faz sucesso no YouTube e mostra um pouco de Morrinhos do Sul:
Quais paisagens e aventuras o visitante encontra em Morrinhos do Sul?
Um dos símbolos da cidade é o Bico do Morro do Forno, formação rochosa de formato inconfundível que se destaca na paisagem e serve de referência para moradores e visitantes. A água também tem papel central, com muitas nascentes que formam riachos azul-esverdeados, poços naturais e pequenas quedas-d’água de alta transparência.
O relevo íngreme somado aos cursos d’água transformou o município em terreno ideal para turismo de aventura e contemplação. Quem visita o Jalapão Gaúcho encontra um conjunto variado de experiências ao ar livre, que vão do lazer tranquilo à adrenalina controlada:
- Descidas de rapel em paredões rochosos, com ancoragens certificadas e acompanhamento técnico.
- Visita ao Poço de Ferro, acessado por rapel, com água muito clara e ambiente praticamente isolado.
- Trilhas em cristas de morros, revelando cânions, plantações e o mar ao fundo.
- Percursos de jipe ou quadriciclo, cruzando áreas rurais, rios rasos e trechos de mata.
- Banhos em poços naturais, ideais para quem prefere contemplação à adrenalina.
Por que a banana é tão importante para Morrinhos do Sul?
A agricultura familiar é forte e fez da banana um dos símbolos econômicos e culturais do município. Muitas propriedades produzem de forma orgânica, com relevo íngreme que dificulta o uso de grandes máquinas, mantendo a colheita manual e, em alguns casos, ainda com apoio de bois no transporte dos cachos.
O ciclo da bananeira, que exige corte da planta após a produção do cacho e renovação constante dos brotos, dita o ritmo de trabalho nas lavouras. Essa rotina se reflete na mesa, onde a banana entra em receitas criativas, doces e salgadas, usando desde a fruta verde até a muito madura, além de partes menos conhecidas, como o coração da bananeira.

Como o Jalapão Gaúcho une histórias, balonismo e novos olhares?
O clima de cidade pequena fortalece laços e rende histórias marcantes, como a de um morador cego que circula de bicicleta guiado por sons, relevo e vento, mostrando uma relação rara de intimidade com o território. Do alto, o balonismo oferece outra camada de leitura da paisagem, revelando cânions, bananais, arrozais, rios e a linha costeira em um único voo.
Após um período de retração, o balonismo passou por ajustes de segurança e se consolidou como atividade que convive com o ritmo calmo local. Se você procura um destino ainda pouco explorado, com natureza intensa, culinária criativa e experiências humanas autênticas, o momento de conhecer o Jalapão Gaúcho é agora: planeje sua viagem antes que esse “segredo” gaúcho entre de vez no roteiro dos destinos mais disputados do Brasil.




