O debate sobre o futuro do feriado de 12 de outubro na Colômbia voltou com força ao centro da agenda pública após a proposta do ministro do Interior de retirar a data do calendário oficial. A discussão reacende temas históricos, jurídicos, econômicos e simbólicos ligados ao Dia da Diversidade Étnica e Cultural, envolvendo tanto a memória da conquista europeia quanto o papel dos feriados na dinâmica social, trabalhista e identitária do país.
O que representa o 12 de outubro na Colômbia hoje
Originalmente conhecido como Dia da Raça, o 12 de outubro foi por muito tempo apresentado como celebração do “encontro de dois mundos”, priorizando a perspectiva europeia e minimizando os impactos da ocupação sobre os povos originários. Em 2021, o Ministério da Cultura alterou oficialmente a denominação para Dia da Diversidade Étnica e Cultural, buscando alinhar a data a uma visão mais crítica e inclusiva da história nacional.
Com o novo nome, a data passou a ser divulgada como momento de reconhecimento das diferentes raízes que compõem a Colômbia: comunidades indígenas, populações afro-colombianas, grupos mestiços, bem como tradições rurais e urbanas. Escolas e instituições culturais organizam atividades educativas e debates para discutir o legado da colonização europeia, da resistência dos povos originários e do racismo estrutural ainda presente.

Por que o 12 de outubro é cada vez mais questionado
A proposta de eliminar o feriado de 12 de outubro na Colômbia está diretamente ligada ao significado histórico atribuído à data. Críticos argumentam que transformá-la em descanso oficial mantém uma narrativa que legitima a conquista europeia como ponto de partida da história nacional, relegando a segundo plano séculos de presença indígena e formas de resistência.
Os principais argumentos levantados por pesquisadores, movimentos sociais e organizações indígenas e afrodescendentes ajudam a entender o peso simbólico desse debate:
- Memória da violência colonial: o 12 de outubro remete ao início de processos de extermínio, escravização, evangelização forçada e perda de autonomia territorial.
- Revisão crítica da história: defende-se que a educação histórica destaque tanto a conquista quanto a resistência, evitando comemorações acríticas da chegada europeia.
- Simbolismo estatal: feriados nacionais indicam o que o Estado considera digno de celebrar, tornando a manutenção da data um ponto sensível e politicamente carregado.
Como o 12 de outubro impacta economia, trabalho e educação
A retirada do feriado de 12 de outubro do calendário colombiano não teria apenas efeitos simbólicos, mas também econômicos e organizacionais. A data é regulada pela Lei 51 de 1983, que transfere alguns feriados para a segunda-feira seguinte, criando um dos fins de semana prolongados mais aguardados do ano e influenciando a rotina de famílias e empresas.
Nesse contexto, diferentes setores destacam impactos diretos em suas atividades, o que ajuda a explicar a forte reação de entidades empresariais e do turismo à possível mudança:
- Setor de turismo: hotéis, agências, restaurantes e empresas de transporte registram aumento expressivo de movimento no período, especialmente em regiões com forte apelo cultural e histórico, como cidades coloniais e territórios com presença de comunidades indígenas e afrodescendentes.
- Comércio e lazer: shoppings, centros culturais e espaços de entretenimento ajustam programações, promoções e eventos temáticos ao feriado, muitas vezes incorporando atividades voltadas à diversidade cultural.
- Rotina familiar: muitos trabalhadores usam a pausa para viajar, visitar parentes ou descansar, o que impacta fluxos de mobilidade urbana e interestadual e fortalece economias locais ligadas ao turismo comunitário.
- Planejamento escolar: escolas incluem o feriado em cronogramas e projetos sobre diversidade cultural, promovendo feiras, palestras e trabalhos que abordam identidade, história indígena e afrodescendente, e debates sobre discriminação e inclusão.

Qual é o papel do calendário nacional na disputa de narrativas
O debate sobre o Dia da Diversidade Étnica e Cultural mostra como o calendário oficial se tornou um campo de disputa política e simbólica. A forma como um país organiza seus feriados reflete prioridades em direitos humanos, projetos de nação e estratégias de desenvolvimento econômico, especialmente em sociedades marcadas por desigualdades raciais e territoriais.
Na Colômbia, o 12 de outubro obriga instituições e cidadãos a revisar como o passado é contado e quais vozes são destacadas. A tendência é de continuidade de iniciativas educativas voltadas à história das comunidades indígenas e afrodescendentes, além da ampliação do debate público sobre memória, justiça histórica, reparação e igualdade racial nos próximos anos.
Qual deve ser o futuro do 12 de outubro na Colômbia
Independentemente da decisão sobre manter, alterar ou extinguir o feriado, o 12 de outubro já se consolidou como referência central nas discussões sobre diversidade étnica, identidade nacional e reconstrução crítica da história colombiana. O que está em jogo é se o país seguirá reproduzindo uma visão eurocêntrica ou se assumirá, de forma contundente, a pluralidade de seus povos e memórias.
Este é o momento de pressionar governos, parlamento e instituições de ensino para incluir as vozes indígenas e afrodescendentes nas decisões sobre o calendário oficial. Participe de consultas públicas, apoie coletivos que defendem justiça histórica e exija que o futuro do 12 de outubro seja decidido com urgência, transparência e protagonismo das comunidades diretamente afetadas.




