Receber um diagnóstico de hérnia de disco costuma trazer muitas dúvidas sobre dor, limitações e, principalmente, sobre a necessidade de cirurgia. A palavra “hérnia” é frequentemente associada a algo grave e definitivo, aumentando a preocupação de pacientes e familiares, mas a prática clínica mostra que grande parte dos casos pode ser manejada com tratamento conservador, bem-planejado e monitorado de perto.
O que é hérnia de disco e como ela se forma na coluna?
A palavra-chave central é hérnia de disco, termo usado para descrever uma alteração no disco intervertebral, estrutura que funciona como uma espécie de amortecedor entre as vértebras. No vídeo abaixo, do canal @Dr. Danillo Almeida, o especialista explica por que a hérnia de disco nem sempre exige cirurgia e como o tratamento conservador bem conduzido pode controlar a dor e restaurar a função.
Quando isso acontece, pode ocorrer irritação de raízes nervosas, desencadeando dor que muitas vezes irradia para a perna ou para o braço. Além da alteração do disco, a inflamação local e o aumento de tensão muscular ao redor da coluna têm papel importante, pois o corpo tende a se “proteger”, travando a região e gerando espasmos, o que intensifica o desconforto.
Hérnia de disco sempre precisa de cirurgia?
Uma das principais dúvidas de quem recebe esse diagnóstico é se a hérnia de disco lombar ou cervical obrigatoriamente levará à cirurgia. Estudos e diretrizes atualizadas indicam que a maioria dos casos pode ser tratada de forma conservadora, desde que haja avaliação adequada, identificação de sinais de alerta e construção de um plano de cuidado individualizado.
A cirurgia costuma ser considerada em situações específicas, como déficit neurológico progressivo, perda importante de força ou dor incapacitante que não responde às abordagens clínicas. Quando bem indicado, o procedimento pode ser benéfico, mas antes dele diversos passos podem ser seguidos para aliviar a compressão do nervo, reduzir a inflamação e melhorar a função da coluna.
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Como funciona o tratamento da hérnia de disco sem cirurgia?
O tratamento não cirúrgico da hérnia de disco costuma se organizar em etapas, que variam conforme o quadro clínico. De maneira geral, três pilares se destacam: avaliação funcional detalhada, terapias de precisão e reabilitação progressiva, com foco em um cuidado ativo e orientado ao movimento seguro.
Na prática, um plano de tratamento conservador costuma incluir ações que atuam na dor, na inflamação e na estabilidade da coluna, sempre integrando dados clínicos e achados de imagem. A seguir, alguns componentes frequentes desse tipo de abordagem:
- Escuta da história clínica: quando começou a dor, quais atividades pioram ou aliviam, impacto no trabalho e no sono.
- Exame físico direcionado: análise da mobilidade da coluna, força muscular, estabilidade, postura e comportamento do nervo.
- Uso criterioso de exames de imagem: ressonância e outros exames são integrados ao quadro clínico, e não interpretados de forma isolada.
- Intervenções para dor e inflamação: podem incluir medicamentos, técnicas manuais, recursos físicos e orientações específicas de movimento.
- Reforço muscular e treino de estabilidade: foco em musculatura profunda da coluna, quadris e região abdominal.
Quais etapas costumam compor a reabilitação da hérnia de disco?

Para organizar o raciocínio, alguns profissionais dividem o cuidado da hérnia de disco na coluna em fases sucessivas, indo da crise aguda ao retorno às atividades habituais. Essa divisão não é rígida, mas ajuda a planejar a progressão de exercícios, o controle de carga e o tempo de repouso relativo.
- Fase de controle da crise
Nesta etapa, a prioridade é reduzir dor intensa, inflamação e espasmo muscular. O tempo de repouso é limitado e acompanhado de orientações de postura, movimentos permitidos e uso adequado de medicação, quando indicada. - Fase de recuperação da mobilidade
Com a dor mais controlada, o foco passa a ser recuperar movimentos da coluna e dos membros, sempre respeitando sinais de irritação do nervo. Exercícios suaves e progressivos são inseridos de forma orientada. - Fase de fortalecimento e estabilidade
Nessa fase, entram treinos específicos para musculatura do tronco, quadris e membros inferiores, visando proteger a coluna no longo prazo e permitir atividades como caminhar longas distâncias, subir escadas e voltar ao exercício físico. - Fase de retorno às atividades plenas
Aqui, o programa de reabilitação passa a simular situações reais do dia a dia e, quando necessário, as demandas do trabalho e do esporte. Ajustes finos na técnica de movimento ajudam a reduzir o risco de novas crises.
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Quando procurar ajuda e quais sintomas exigem atenção?
Sinais clássicos da hérnia de disco, como dor irradiada para a perna ou braço, formigamento, sensação de fraqueza, dificuldade para caminhar ou episódios de “travamento” da coluna, indicam necessidade de avaliação especializada. Quanto mais cedo o quadro é analisado de forma funcional, maiores são as chances de controlar a inflamação, liberar o nervo comprimido e reorganizar a estabilidade da coluna.
Em 2025, o entendimento sobre dor na coluna e hérnia de disco evoluiu para uma visão mais ampla, que considera fatores estruturais, inflamatórios, musculares e de comportamento de movimento. Pacientes bem orientados, que entendem o plano de tratamento e participam ativamente da reabilitação, tendem a retomar trabalho, lazer e tarefas cotidianas com mais segurança, mesmo quando a hérnia ainda aparece nos exames de imagem.




