Justiça condenou o Estado por manter carro apreendido por dez anos sem aviso ao dono. Omissão caracterizou abandono, perda total do bem e falha administrativa, garantindo indenização por danos materiais e morais.
A indenização por carro apreendido reacendeu o debate sobre falhas graves da administração pública. A Justiça condenou o Estado após manter um veículo retido por dez anos sem aviso ao dono, reconhecendo abandono, perda total do bem e violação ao direito de propriedade.
O que aconteceu com o carro esquecido em um pátio público?
O veículo apreendido foi recolhido para averiguação administrativa, mas o Estado não cumpriu os prazos legais para devolução ou leilão. Após o período permitido, o carro permaneceu no pátio sem qualquer providência formal.
Durante uma década, o automóvel ficou exposto ao tempo, sofrendo deterioração completa. A omissão do poder público fez com que o proprietário só descobrisse a situação anos depois, quando o bem já havia perdido totalmente seu valor de mercado.

Quais falhas do Estado levaram à condenação judicial?
A decisão apontou erros administrativos graves que caracterizam falha de serviço e descumprimento do dever de guarda. Entre os principais problemas reconhecidos pela Justiça, destacam-se os pontos listados a seguir.
- Falta de notificação: ausência de comunicação formal ao proprietário sobre a localização e o destino do veículo.
- Abandono do bem: exposição prolongada sem manutenção, resultando em sucata imprestável.
- Descumprimento legal: não realização de leilão administrativo dentro do prazo previsto no CTB.
Por que o Estado é responsável por veículos apreendidos?
A Constituição estabelece a responsabilidade objetiva do Estado por danos causados por seus agentes. Ao apreender um carro, o poder público assume o papel de depositário fiel, devendo devolvê-lo no mesmo estado em que foi recolhido.
Além disso, o princípio da eficiência administrativa exige que o Estado dê destino legal ao bem, seja devolução ou leilão. Manter o veículo esquecido por anos configura omissão ilícita, gerando obrigação de indenizar.

Que indenizações podem ser exigidas em casos semelhantes?
A reparação reconhecida pela Justiça costuma abranger prejuízos financeiros e emocionais causados ao cidadão. Nos processos desse tipo, os principais pontos indenizatórios aparecem a seguir.
- Danos materiais: pagamento do valor do carro com base na Tabela FIPE ou em modelo equivalente à época da devolução.
- Danos morais: compensação pela frustração, estresse e perda prolongada do patrimônio.
- Responsabilização estatal: punição pelo descaso administrativo e prevenção de novas falhas.
O caso reforça que o Estado não pode tratar bens apreendidos como se fossem abandonados. O dever de guarda é legal e o descumprimento custa caro aos cofres públicos e à confiança do cidadão nas instituições.




