A Justiça de Minas condenou clínica estética a pagar mais de R$ 50 mil após queimaduras graves em depilação a laser íntima. A decisão reconheceu falha técnica, danos físicos, morais, estéticos e afastou validade de consentimento genérico.
Uma decisão da Justiça em Minas Gerais reacendeu o alerta sobre erro em depilação a laser ao condenar uma clínica estética a pagar mais de R$ 50 mil após causar queimaduras graves na região íntima de uma cliente, reforçando deveres de segurança e responsabilidade técnica.
O que motivou a condenação da clínica de estética?
A consumidora sofreu queimaduras de primeiro e segundo graus durante uma sessão de depilação a laser, com dor intensa, necessidade de atendimento médico imediato e afastamento temporário das atividades profissionais, configurando dano físico evidente.
A Justiça entendeu que as lesões ultrapassaram qualquer reação esperada de um procedimento seguro, caracterizando falha na prestação do serviço e afastando a tese de que o resultado teria sido apenas um risco normal previamente informado.

Por que o termo de consentimento não protegeu a clínica?
O tribunal destacou que documentos genéricos não afastam a responsabilidade quando há erro técnico comprovado, pois o dever de segurança é inerente à atividade estética. Entre os fatores considerados decisivos na análise, estão os que aparecem a seguir.
- Queimaduras incompatíveis com efeitos normais do laser estético.
- Laudos e registros médicos confirmando a gravidade das lesões.
- Aplicação inadequada do equipamento na região sensível do corpo.
Como a decisão tratou os danos sofridos pela consumidora?
A condenação reconheceu simultaneamente danos morais, estéticos, materiais e lucros cessantes, entendendo que o sofrimento físico, o abalo emocional e as marcas corporais extrapolaram meros aborrecimentos do cotidiano.
Também foi considerado o impacto financeiro do afastamento profissional, reforçando que o fornecedor responde pelos prejuízos diretos quando o consumidor perde renda em razão de um serviço prestado de forma inadequada.

Quais direitos o consumidor tem em casos de depilação a laser?
O julgamento reforça que clínicas respondem objetivamente por danos causados, independentemente de culpa direta, quando ocorre defeito no serviço ou risco não controlado ao cliente. Entre os cuidados práticos mais relevantes, estão os que você vê a seguir.
- Exigir teste de sensibilidade antes da aplicação completa do laser.
- Registrar sinais imediatos de dor excessiva ou lesão com fotos.
- Guardar comprovantes médicos e comunicações com a clínica.
Por que essa decisão muda o padrão de responsabilidade estética?
A condenação acima de R$ 50 mil reforça o caráter pedagógico da indenização, sinalizando que procedimentos estéticos exigem preparo técnico rigoroso, avaliação individual da pele e protocolos de segurança estritos.
O entendimento fortalece a proteção do consumidor ao deixar claro que a busca por estética não elimina direitos básicos, nem autoriza a exposição do corpo a riscos desnecessários sob a justificativa de consentimento genérico.




