A decisão de fechar dezenas de lojas físicas de uma grande rede varejista de moda nos Estados Unidos expõe um movimento mais amplo e atual de transformação do comércio. A Macy’s, uma das marcas mais tradicionais do setor, vem reduzindo sua presença em shoppings e centros comerciais desde 2024, em resposta à mudança no comportamento de compra, ao avanço do comércio eletrônico e à pressão por operações mais enxutas e eficientes.
O que está por trás do fechamento de lojas da Macy’s
O fechamento de lojas da Macy’s está ligado a mudanças estruturais no varejo de moda e à necessidade de adaptação a um consumidor hiperconectado. A expansão acelerada do comércio online, o aumento dos custos operacionais e a urgência em modernizar a experiência de compra levaram a companhia a rever sua rede física e priorizar canais digitais.
O processo começou com o fechamento de 14 lojas em 12 estados, incluindo Califórnia, Nova York, Texas e Nova Jersey, dentro da estratégia Bold New Chapter. O plano prevê o encerramento gradual de cerca de 150 unidades com baixo desempenho até 2026, focando em espaços mais compactos, integração entre loja física e ambiente digital e fortalecimento de pontos de venda mais rentáveis.

Principais fatores que explicam a reestruturação
A Macy’s não é um caso isolado, mas um símbolo de um varejo em redesenho acelerado. A empresa, assim como outros grandes players, responde a pressões tecnológicas, econômicas e comportamentais que tornam inviável manter uma rede extensa de lojas físicas com baixa rentabilidade.
Entre os fatores que impulsionam essa reestruturação, alguns se destacam pela força com que mudam o jogo competitivo:
- Migração para o e-commerce: parte relevante das vendas de roupas e acessórios passou a ser feita pela internet, com entrega rápida e múltiplas opções de pagamento.
- Custos fixos elevados: aluguéis em shoppings, energia, manutenção e folha de pagamento pressionam a margem de lucro das lojas tradicionais.
- Mudança no hábito de consumo: consumidores comparam preços em tempo real, buscam promoções constantes e valorizam conveniência, o que favorece plataformas digitais.
- Concorrência mais intensa: grandes varejistas online e marcas que vendem diretamente ao consumidor ampliaram a disputa por público e por preços.
Como o fechamento impacta empregos e economias locais
O impacto imediato do fechamento de lojas da Macy’s recai sobre o emprego e o entorno econômico. Cada unidade encerra dezenas ou até centenas de postos de trabalho, afetando vendedores, equipes de estoque, gerentes e profissionais de apoio, sobretudo em cidades menores que dependem do setor de serviços.
A saída de uma âncora varejista também reduz o fluxo de consumidores em shoppings e centros comerciais, afetando restaurantes, quiosques e pequenas lojas vizinhas. Embora parte do consumo migre para o e-commerce da própria Macy’s e de concorrentes digitais, municípios podem sentir queda na arrecadação de impostos e aumento da pressão por recolocação profissional.

Que futuro o Bold New Chapter indica para o varejo de moda
A estratégia Bold New Chapter aponta para um varejo com menos lojas físicas, mais tecnologia e operações híbridas. Em vez de grandes lojas de departamento, ganham força unidades menores, sortimento ajustado ao perfil local, retirada de compras online e serviços personalizados em formato de showroom.
Além disso, cresce o uso de dados para decidir onde abrir ou fechar unidades, assim como o investimento em automação, autoatendimento e parcerias com marketplaces. A combinação entre loja física, comércio eletrônico e novos formatos de atendimento tende a definir quais marcas permanecerão relevantes nos próximos anos.
Como as comunidades podem reagir e se adaptar a esse cenário
Em muitas cidades, a Macy’s tinha papel simbólico e funcionava como ponto de encontro e referência de identidade comercial. O encerramento dessas unidades exige que comunidades, shoppings e gestores públicos repensem o uso de grandes espaços, que podem ser convertidos em centros de serviços, lazer, escritórios compartilhados ou novos formatos de varejo.
Esse é um momento decisivo: ignorar a transformação acelera perdas, enquanto agir rápido pode gerar novas oportunidades de negócios, emprego e inovação local. Se você atua em varejo, gestão pública ou desenvolvimento regional, o tempo de reagir é agora — analise seu território, busque parcerias e redesenhe estratégias antes que a próxima onda de fechamento chegue à sua porta.




