O uso intenso de dispositivos móveis, como smartphones, tem levantado preocupações crescentes quando se analisa o impacto na saúde ocular. Estudos recentes destacam que o tipo de conteúdo consumido desempenha um papel crítico nesse processo. Conteúdos como e-books, vídeos convencionais, e vídeos curtos populares em redes sociais, como Instagram e TikTok, apresentam efeitos distintos nos olhos, com maior sobrecarga visual associada aos vídeos curtos e dinâmicos.
Pesquisas divulgadas demonstram que esses conteúdos de rápida evolução influenciam diretamente a frequência de piscadas e o diâmetro das pupilas, ao contrário de leituras e vídeos mais prolongados que mantêm uma relativa estabilidade nesses fatores. Essa relação com a carga visual provoca sintomas comuns de Fadiga Ocular Digital, resultado da adaptação constante a essas mudanças visuais.
O que é a fadiga ocular digital?
A fadiga ocular digital, ou astenopia, é uma condição caracterizada por um conjunto de sintomas que surgem quando os olhos ficam sobrecarregados devido à exposição prolongada a dispositivos eletrônicos. Essa condição é influenciada por fatores como redução no número de piscadas, esforço excessivo de foco, e consumo de conteúdos com brilho ou contraste flutuantes.
Com o aumento do tempo despendido nas redes sociais, as queixas de fadiga visual têm se intensificado. Especialistas alertam que as constantes mudanças de brilho e contraste nos vídeos curtos exigem que o sistema visual se adapte continuamente, fazendo com que a pupila se contrai e expanda repetidamente. Esse esforço pode levar a um fenômeno informalmente denominado de “síndrome da visão de reels”.

Quais são os efeitos do uso excessivo do celular na visão?
A utilização excessiva de smartphones está se tornando uma preocupação global de saúde ocular. Para muitos, isso resulta em desconforto no pescoço, cansaço nas mãos, além de sensação de ardor e visão borrada. O uso contínuo sem intervalos adequados contribui para a redução na lubrificação dos olhos, exacerbando problemas como o olho seco.
Os efeitos oculares incluem, a curto prazo, ardor, lacrimejamento, e cefaleia. A longo prazo, o impacto é mais pronunciado em indivíduos predispostos a condições como olho seco, dificultando a manutenção adequada da lubrificação ocular. Recomenda-se atenção aos sintomas persistentes, como dor ocular intensa e vermelhidão, que podem exigir avaliação profissional.
Como minimizar os impactos visuais do uso de smartphones?
Prevenir a fadiga ocular digital requer medidas simples, mas eficazes. A adoção da regra 20-20-20 é altamente recomendada: a cada 20 minutos, deve-se olhar para um ponto a cerca de 6 metros por 20 segundos. Outras práticas benéficas incluem ajustar o brilho da tela conforme o ambiente, evitar o uso do celular no escuro, e manter uma distância adequada do dispositivo aos olhos. Para aliviar sintomas como o olho seco, lágrimas artificiais podem ser usadas sob orientação médica.
Para crianças, a prevenção assume uma importância ainda maior devido ao estado de desenvolvimento de seu sistema visual e nervoso. A exposição a telas deve ser limitada, particularmente para crianças abaixo dos dois anos, dado o crescente vínculo entre uso excessivo de telas e a progressão da miopia.
O crescente papel dos smartphones nas nossas vidas diárias torna a conscientização sobre a saúde ocular uma prioridade. Práticas saudáveis e um uso consciente podem mitigar muitos dos riscos associados à fadiga ocular digital, promovendo uma melhor qualidade de vida visual.
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Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
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