Fundada em 1935, a Chocolate Pan faliu em 2023 com dívidas acima de R$ 260 milhões. Em 2024, a marca foi comprada pela Cacau Show por R$ 71 milhões e relançada até 2026 com ajustes de produção e portfólio.
A história da Chocolate Pan mostra que tradição não garante sobrevivência no mercado moderno. Fundada em 1935, a empresa acumulou dívidas bilionárias, teve a falência decretada em 2023 e passou por uma reviravolta estratégica entre 2024 e 2026, com a marca assumida por um novo grupo.
Como uma marca histórica brasileira chegou à falência?
A falência da Pan foi o desfecho de uma recuperação judicial iniciada em 2021. Documentos do processo apontaram um passivo superior a R$ 260 milhões, inviabilizando a operação industrial e levando ao fechamento da fábrica de São Caetano do Sul após 88 anos de atividade.
Especialistas em reestruturação destacam que empresas tradicionais sofrem quando não acompanham o aumento dos custos e a concorrência global. No caso da Pan, a combinação entre endividamento antigo e margens apertadas acelerou a perda de competitividade.

Quais fatores econômicos pesaram contra a sobrevivência da Pan?
A queda da empresa não foi causada por um único evento, mas por um conjunto de pressões financeiras e operacionais acumuladas ao longo do tempo. Entre os principais elementos apontados por analistas do setor alimentício, destacam-se os seguintes.
- Dívidas tributárias: impostos acumulados ao longo de décadas comprometeram o caixa
- Concorrência multinacional: gigantes como Nestlé e Mondelēz dominam escala e marketing
- Crise sanitária: a pandemia afetou o fluxo financeiro e o acesso a insumos básicos
Por que a Pan não resistiu à alta do cacau e dos custos?
Economistas usam modelos como o Z-Score de Altman para prever falências, e os indicadores da Pan eram negativos havia anos. A relação entre capital de giro e ativos totais mostrava incapacidade de absorver choques externos no mercado.
Com a alta do preço do cacau no mercado internacional em 2024, empresas sem contratos de proteção financeira viram sua margem de contribuição se aproximar de zero. Para a Pan, o aumento dos custos variáveis tornou a operação matematicamente inviável.

O que mudou com a compra da marca pela Cacau Show?
Em outubro de 2023, o empresário Alexandre Costa, fundador da Cacau Show, adquiriu em leilão a fábrica e todas as marcas da Pan por cerca de R$ 71 milhões. O foco da compra foi preservar a propriedade intelectual e a memória afetiva do consumidor.
- Aquisição estratégica: marcas e ativos industriais incorporados ao grupo comprador
- Plano de retomada: reintegração gradual de produtos clássicos ao portfólio
- Execução logística: uso da rede com mais de 4 mil lojas no país
Qual é o futuro da marca Pan no mercado brasileiro?
Analistas de branding afirmam que a Pan falhou ao não modernizar processos e identidade visual, mas deixou um ativo valioso: a nostalgia. A estratégia atual é manter a essência da marca com padrões técnicos atualizados de produção.
Em 2026, produtos clássicos voltam ao mercado com ajustes na formulação, maior teor de cacau e menos gordura vegetal. Para o varejo, o caso reforça que marcas históricas podem renascer quando associadas a gestão eficiente e estrutura moderna.




