Quem olha de longe nem imagina: por trás de uma casa bem acabada pode existir uma fábrica caseira de tijolo ecológico capaz de derrubar o custo da obra pela metade. Em 2025, muita gente ainda acha que tijolo ecológico é caro ou complicado, mas a história dessa construção mostra o contrário: com planejamento, alguns equipamentos básicos e um pouco de estudo, o milheiro de tijolo pode cair de cerca de R$ 1.300 para menos de R$ 600.
- Produção caseira derruba o custo do milheiro de R$ 1.300 para menos de R$ 600
- Mini fábrica simples com equipamentos básicos
- Qualidade depende da cura correta e do solo ideal
- Economia expressiva em construções grandes
- Viabilidade real mesmo para leigos
- Resultados acima da norma técnica
Como o tijolo ecológico ficou tão barato nessa obra?
O ponto de partida foi simples: a família decidiu autoconstruir a casa e percebeu que o maior peso no orçamento estava na alvenaria. Em vez de comprar os blocos prontos, surgiu a ideia de fabricar o próprio tijolo ecológico, reduzindo custos de material, frete e perdas.
Ao comparar os valores da região, o milheiro comprado girava entre R$ 1.300 e R$ 1.500, enquanto o produzido em casa ficava abaixo de R$ 600, já considerando insumos e aluguel de equipamentos. Essa diferença reduziu o custo construtivo de uma casa de 225 m² para cerca de R$ 150 mil, chegando a R$ 175 mil com mobiliário.
No vídeo abaixo, do canal Amanda e Fernando, você confere o resultado de uma casa que fabricou seu próprio material:
O que é necessário para montar uma mini fábrica de tijolo ecológico?
A estrutura inicial para produzir o tijolo ecológico foi enxuta, focando em equipamentos básicos e facilmente alugáveis. O primeiro investimento foi uma prensa manual de marca especializada, escolhida após pesquisa e conversas com quem já produzia blocos.
Em seguida, uma betoneira foi alugada por mês e serviu tanto para os tijolos quanto para o concreto das paredes. Com duas pessoas trabalhando à noite, a produção já era consistente, podendo ser ampliada depois com peneira elétrica e triturador, quando necessário.
Por que a cura influencia tanto na qualidade do tijolo?
O segredo da resistência não esteve apenas na prensa ou na marca do cimento, mas na forma de curar o tijolo. Em vez de empilhar com muitos vãos, o método adotado manteve as peças bem juntas e com irrigação abundante, controlando a perda de umidade.
Com o uso de cimento de alta resistência inicial (CP V, ou ARI), os tijolos atingem desempenho adequado em poucos dias. O resultado foram blocos mais resistentes, sem manchas e com laudos acima das exigências de norma.

Quais detalhes técnicos melhoram o desempenho do tijolo ecológico?
Ao longo dos testes, o desenho do tijolo ecológico foi refinado para facilitar a obra e reduzir patologias. Surgiram chanfros definidos, encaixe macho-fêmea resistente e marcações de superfície para orientar a aplicação de argamassa e evitar desperdícios.
- Base levemente curva para lidar com dilatações e reduzir trincas.
- Prensas ajustadas para blocos com melhor acabamento dimensional.
- Ensaios de resistência cerca de 30% acima da norma vigente.

Como a escolha da terra reduz ainda mais o custo?
A escolha do solo é decisiva para manter o milheiro barato e tecnicamente adequado. No caso mostrado, encontrou-se uma terra quase pronta, com cerca de 70% de areia, evitando comprar areia extra para corrigir o traço.
Para quem está começando, alguns tipos de solo aparecem com frequência e podem ser analisados em laboratório ou por técnico especializado:
- Terra para aterro: muitas vezes serve como base adequada, após análise.
- Barro vermelho: solo argiloso, comum em bioconstrução.
- Piçarra: em algumas regiões, entra em misturas para blocos comprimidos.
- Solo para reboco natural: o mesmo usado em taipa, adobe e tintas de terra.
Confira mais informações no vídeo da engenheira @amandaalves____ no TikTok:
Vale a pena produzir tijolo ecológico em casa para economizar na obra?
Na experiência relatada, a economia por milheiro girou em torno de R$ 1.000, considerando mercado a R$ 1.600 com frete e produção própria perto de R$ 600. Em duas casas, usando cerca de 44 milheiros, a diferença chegou a aproximadamente R$ 44 mil.
Além do tijolo, a obra aproveitou madeiras e telhas reaproveitadas, planejou argamassas e tintas de terra e chegou a fornecer blocos para amigos e casas financiadas. Com laudos técnicos e paletização, uma pequena fábrica de quintal mostrou que pode ganhar escala com responsabilidade e bom planejamento.




