A sensação de vazio emocional tem aumentado com o excesso de estímulos e pressão por produtividade, mantendo o cérebro em estado constante de alerta e gerando cansaço, inquietação e dificuldade de descanso emocional.
O que é regulação emocional rápida e como ela funciona
O conceito de regulação emocional rápida parte da ideia de que o cérebro responde não só ao que acontece ao redor, mas também aos sinais enviados pelo corpo e pelos próprios pensamentos. A regulação emocional, entendida como a capacidade de ajustar, em pouco tempo, a intensidade e a qualidade das emoções que surgem ao longo do dia. No vídeo do @Simples assim!, a regulação emocional é explicada de forma prática, mostrando como pequenos ajustes corporais e mentais ajudam a sair do estado de alerta.
Em vez de depender exclusivamente de fatores externos, essa autorregulação envolve pequenas ações físicas e cognitivas que influenciam diretamente a química cerebral. Essas estratégias não substituem tratamentos médicos ou psicoterapêuticos quando necessários, mas podem ser usadas como ferramentas cotidianas para lidar com o estresse comum, a sobrecarga mental e as flutuações de humor.
Como a expressão facial interfere na regulação emocional
Um dos elementos centrais da regulação emocional é como o rosto comunica estados internos ao cérebro. O sistema nervoso interpreta a musculatura facial como um indicador de segurança ou ameaça, e esse fenômeno, conhecido como feedback facial, sugere que ajustar a expressão não serve apenas para demonstrar emoções, mas também para influenciá-las.
Pequenas mudanças podem contribuir para esse processo, reduzindo o sinal de perigo interno e favorecendo a diminuição da resposta de estresse. Essas ações simples também podem ser combinadas à postura corporal, reforçando para o cérebro a sensação de que não há ameaça imediata.
- Relaxar a mandíbula: diminui o sinal de tensão constante.
- Elevar levemente as sobrancelhas: associa-se a curiosidade em vez de ameaça.
- Suavizar o olhar: reduz a expressão de hostilidade ou preocupação intensa.
- Ajustar os ombros: complementa o sinal de segurança enviado ao cérebro.
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Como nomear emoções ajuda a ter mais controle interno
Outro pilar da regulação emocional é o ato de identificar e nomear o que se sente. Quando a experiência interna permanece vaga, o cérebro tende a manter o sistema de alerta ativado, como se estivesse diante de algo desconhecido, o que prolonga a sensação de mal-estar e confusão emocional.
Ao transformar essa sensação em palavras, há uma mudança na forma como o cérebro processa a situação, deslocando parte da atividade das áreas mais reativas para regiões ligadas ao raciocínio e à linguagem. Frases simples, ditas mentalmente ou em voz baixa, já colaboram para a autorregulação: “há cansaço aqui”, “há frustração”, “há ansiedade”, “há sensação de vazio”.
- Perceber o desconforto físico ou mental.
- Identificar qual emoção está mais presente.
- Dar um nome simples e direto a essa emoção.
- Respirar de forma mais lenta por alguns segundos após nomeá-la.
Como as micro vitórias melhoram o estado emocional

A terceira estratégia de regulação emocional rápida envolve as chamadas micro vitórias, pequenos objetivos cumpridos em poucos segundos ou minutos. O cérebro responde de forma intensa à sensação de progresso imediato, liberando dopamina, substância relacionada à motivação, à energia e à disposição para agir.
Entre exemplos de micro vitórias estão: arrumar rapidamente a mesa de trabalho, responder a uma mensagem importante, beber água, alongar o corpo ou finalizar uma tarefa pendente que vinha sendo adiada. Quando essas pequenas ações são realizadas após o ajuste da expressão facial e a nomeação das emoções, formam uma sequência que favorece a reorganização emocional.
- Escolher uma ação simples que caiba em poucos minutos.
- Executar a tarefa sem buscar perfeição, apenas finalização.
- Reconhecer internamente que se trata de um pequeno progresso.
- Repetir o processo várias vezes ao longo do dia, quando necessário.
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Como integrar esses mecanismos na rotina diária
Quando esses três recursos são combinados, a regulação emocional deixa de ser um conceito abstrato e passa a fazer parte da rotina. Não se trata de eliminar emoções desconfortáveis, mas de evitar que elas assumam o controle por longos períodos em situações corriqueiras, mantendo um senso de estabilidade interna.
O relaxamento da expressão facial reduz o sinal de perigo, a nomeação das emoções organiza a experiência interna e as micro vitórias fornecem ao cérebro a sensação de movimento e capacidade de ação. Com o tempo, a repetição desses passos tende a se tornar mais automática, facilitando respostas mais equilibradas diante de imprevistos, sobrecarga de tarefas ou momentos de vazio emocional.




