Em 1859, a introdução de 24 coelhos europeus na Austrália virou espécie invasora. Em décadas, a população chegou a milhões, degradou solos, causou erosão e prejuízos agrícolas; o controle segue ativo até 2026.
Em 1859, uma decisão aparentemente inofensiva desencadeou um dos maiores colapsos ecológicos da história. A introdução de apenas 24 coelhos europeus levou à degradação de milhões de quilômetros de terras férteis, provocando erosão do solo, prejuízos econômicos e impactos ambientais que persistem até 2026.
Como uma decisão isolada gerou um colapso ambiental continental?
O episódio começou quando um colono inglês libertou coelhos para caça recreativa em uma fazenda australiana. Sem avaliação ambiental prévia, a introdução criou uma espécie invasora em um ecossistema despreparado, iniciando uma reação em cadeia difícil de conter.
Em menos de 70 anos, a população saltou de dezenas para cerca de 600 milhões de indivíduos. O crescimento explosivo transformou solos produtivos em áreas degradadas, alterando paisagens inteiras e comprometendo a biodiversidade local de forma irreversível.

Por que os coelhos se multiplicaram de forma tão descontrolada?
Diferente do ambiente europeu, a Austrália ofereceu condições ideais para a proliferação dos coelhos. A ausência de controles naturais permitiu que a reprodução ocorresse de forma contínua, criando um crescimento populacional geométrico difícil de frear, como explicado a seguir.
- Falta de predadores eficazes: espécies locais incapazes de conter a natalidade
- Clima favorável: invernos amenos que permitem reprodução quase o ano todo
- Alta taxa reprodutiva: fêmeas com até sete ninhadas anuais
Como os coelhos transformaram solos férteis em áreas degradadas?
O impacto mais severo ocorreu abaixo da superfície. O consumo das raízes e da vegetação rasteira comprometeu a estrutura do solo, impedindo a regeneração natural das plantas e reduzindo drasticamente a fertilidade das terras agrícolas.
Sem cobertura vegetal, a camada mais rica do solo foi removida por ventos e chuvas. Esse processo de erosão eólica e hídrica converteu pastagens produtivas em verdadeiros desertos de poeira, afetando agricultura, fauna e recursos hídricos.

Quais estratégias a Austrália adotou para conter o desastre?
Diante do avanço incontrolável, o país adotou medidas extremas para tentar frear a praga. Obras monumentais e soluções científicas marcaram essa tentativa de contenção, que evoluiu ao longo do tempo, como mostram os principais esforços abaixo.
- Cerca à prova de coelhos: estrutura com mais de 3 mil quilômetros que falhou em conter a migração
- Uso de vírus biológicos: introdução da mixomatose e do calicivírus para reduzir populações
- Monitoramento em 2026: aplicação de biotecnologia e modelos genéticos para controle seletivo
Que lição ambiental esse caso deixa para o futuro?
O episódio australiano é um exemplo clássico dos riscos associados às espécies invasoras. Uma introdução aparentemente pequena pode gerar impactos continentais quando não há controles biológicos naturais ou avaliação ecológica adequada.
Em 2026, com comércio global intenso e mudanças climáticas aceleradas, o risco se ampliou. A história dos coelhos mostra que a natureza funciona em equilíbrio delicado, e qualquer interferência humana impensada pode gerar consequências irreversíveis.


