A Suécia passou a importar lixo para manter usinas de energia funcionando após reduzir drasticamente resíduos internos. Em 2023, processou 6,6 milhões de toneladas, sendo 2,2 milhões importadas, gerando calor e eletricidade, mas levantando críticas climáticas.
A Suécia transformou lixo em energia com tanta eficiência que passou a enfrentar um efeito inesperado: falta de resíduos para abastecer suas usinas. Para manter o aquecimento distrital e a geração elétrica, o país agora importa lixo de outros países europeus.
Como a Suécia chegou ao ponto de faltar lixo para queimar?
O sistema sueco de gestão de resíduos combina reciclagem elevada com incineração de rejeitos para gerar calor e eletricidade. Com menos lixo doméstico disponível, a capacidade das usinas passou a superar o volume interno de material combustível.
Segundo a Avfall Sverige, essa eficiência reduziu o envio a aterros, mas criou um descompasso operacional. As plantas de recuperação de energia precisam de fornecimento contínuo para funcionar de forma estável, abrindo espaço para a importação de resíduos.

Por que importar lixo virou solução para o aquecimento das cidades?
Grande parte das cidades suecas depende do aquecimento distrital, alimentado por usinas que queimam resíduos não recicláveis. Para garantir calor no inverno e contratos de longo prazo, o país passou a buscar lixo fora das fronteiras, como mostram os pontos a seguir.
- Capacidade excedente: usinas conseguem processar mais resíduos do que o país produz internamente.
- Fluxo estável: cidades precisam de fornecimento contínuo de calor durante todo o inverno.
- Modelo econômico: países exportadores pagam para enviar rejeitos que iriam para aterros.
Quais números mostram a dimensão do lixo importado pela Suécia?
Em 2023, as usinas suecas receberam 6,6 milhões de toneladas de resíduos para recuperação de energia. Desse total, 2,2 milhões de toneladas vieram do exterior, incluindo lixo municipal e resíduos industriais.
Relatórios indicam que Noruega e Grã-Bretanha estão entre os principais exportadores. Projeções apontam que a Suécia pode precisar importar entre 1 e 1,9 milhão de toneladas por ano até 2027, dependendo da reciclagem.

Quais são os benefícios e as críticas ao modelo sueco?
Transformar resíduos importados em energia traz ganhos operacionais, mas também levanta debates ambientais e climáticos. O equilíbrio entre eficiência energética e economia circular aparece nos pontos abaixo.
- Benefício energético: geração de 19,5 TWh em 2023, sendo 17,3 TWh para aquecimento.
- Impacto climático: incineração gerou cerca de 3 milhões de toneladas de CO2 equivalente.
- Risco estrutural: dependência de lixo pode desestimular redução de resíduos na origem.
O futuro do modelo depende de mais reciclagem, menos plástico no rejeito e tecnologias como captura de carbono. A Suécia evita aterros hoje, mas o desafio será manter energia, reduzir emissões e não atrasar a transição para uma economia realmente circular.




