O Abono Salarial continua sendo uma das principais políticas de transferência de renda para trabalhadores de baixa renda no Brasil. Em 2026, o benefício poderá chegar a um salário mínimo e está previsto para alcançar 26,9 milhões de pessoas que atuam tanto na iniciativa privada quanto no serviço público. A previsão orçamentária do Governo Federal para esse pagamento é de R$ 33,5 bilhões, valor superior ao destinado em 2025.
O benefício é calculado com base no tempo de trabalho formal no ano-base e no limite de remuneração média mensal exigido em cada período. Para o ciclo que começa a ser pago em 2026, o ano-base considerado é 2024, e o teto de renda média mensal foi fixado em R$ 2.766,00, após correção pela inflação medida pelo INPC. A partir de fevereiro de 2026, os depósitos começam a ser liberados conforme calendário escalonado por mês de nascimento.
O que é o Abono Salarial e quem tem direito ao benefício?
O Abono Salarial é um benefício anual destinado a trabalhadores que recebem baixos salários e que estão vinculados a empregadores participantes do PIS/Pasep. Na prática, funciona como uma espécie de 14º salário para quem se enquadra nas regras de elegibilidade. O objetivo é complementar a renda de quem atua com carteira assinada, em emprego formal, no setor privado ou no serviço público.
Para ter direito ao abono em 2026, referente ao ano-base de 2024, é necessário cumprir alguns requisitos mínimos:
- Estar inscrito no PIS ou no Pasep há, pelo menos, cinco anos;
- Ter trabalhado com carteira assinada por, no mínimo, 30 dias em 2024;
- Ter recebido remuneração média mensal de até R$ 2.766,00 no ano-base;
- Ter os dados corretamente informados pelo empregador no eSocial ou na RAIS, dentro do prazo oficial.

Essas condições são avaliadas pelo sistema do governo, que cruza informações trabalhistas e previdenciárias para identificar automaticamente quem tem direito ao benefício.
Quais são as novas regras do Abono Salarial até 2035?
A partir de 2026, entram em vigor as novas regras definidas pela Emenda Constitucional nº 135/2024, que alterou o critério de renda para acesso ao Abono Salarial. A principal mudança é a redução gradual do limite de renda média mensal ao longo dos anos, até chegar ao patamar de um salário mínimo e meio em 2035. Hoje, o teto está fixado em dois salários mínimos corrigidos pela inflação.
Na prática, essa transição funciona da seguinte forma:
- O limite de renda é ajustado ano a ano, de forma escalonada;
- A cada ciclo, um número menor de trabalhadores com salários mais altos dentro da faixa de baixa renda terá acesso ao benefício;
- O foco tende a se concentrar progressivamente nas faixas salariais mais baixas.
Apesar da mudança nos critérios de renda, o valor máximo do abono permanece podendo chegar a até um salário mínimo, proporcional ao tempo de trabalho. Assim, mesmo com o endurecimento gradual da porta de entrada, a forma de cálculo do benefício não sofre alteração estrutural, mantendo a lógica de frações mensais.
Como será o pagamento do Abono Salarial 2026 na prática?
O pagamento do Abono Salarial 2026 segue um calendário baseado no mês de nascimento do trabalhador. Os créditos começam em 15 de fevereiro e vão até 15 de agosto, mas o saque poderá ser realizado até o último dia útil do ano bancário, em 29 de dezembro de 2026. Se o valor não for retirado até essa data, os recursos retornam ao Tesouro, embora ainda possam ser solicitados dentro do prazo legal de cinco anos.
O fluxo de pagamento é dividido entre duas instituições financeiras públicas:
- Caixa Econômica Federal (PIS): atende trabalhadores da iniciativa privada, com crédito preferencial em conta corrente, poupança ou Conta Digital CAIXA. Também há possibilidade de depósito automático na poupança social digital, acessada pelo aplicativo CAIXA Tem.
- Banco do Brasil (Pasep): responsável pelos servidores públicos, com pagamento em conta bancária, transferência via TED ou PIX, ou atendimento presencial nas agências para quem não é correntista e não possui chave PIX.
A consulta ao direito ao abono pode ser feita, a partir de 5 de fevereiro, pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital ou pelo portal Gov.br. Canais de atendimento do Ministério do Trabalho e Emprego, as Superintendências Regionais e o telefone 158 também são opções disponíveis para esclarecer dúvidas sobre valores, datas e eventuais inconsistências cadastrais.
Como o trabalhador pode se organizar para não perder o Abono Salarial?
Manter-se atento às datas e às informações registradas pelos empregadores é essencial para garantir o acesso ao benefício. Alguns cuidados práticos podem evitar atrasos ou perdas:
- Verificar regularmente os dados na Carteira de Trabalho Digital;
- Acompanhar o calendário de pagamento de acordo com o mês de nascimento;
- Checar se o empregador declarou corretamente as informações no eSocial ou na RAIS;
- Atualizar cadastro bancário e chaves PIX, quando for o caso;
- Buscar atendimento nos canais oficiais em caso de ausência de crédito na data prevista.
Com essas medidas, o trabalhador tende a ter mais segurança para planejar o uso do Abono Salarial, que em 2026 permanecerá como uma importante fonte de reforço de renda para milhões de famílias em todo o país.




