Rotinas simples realizadas à noite, dentro de casa, podem influenciar diretamente o risco de infarto e AVC sem que a maioria das pessoas perceba. A forma como se faz a última refeição do dia, o volume de líquidos ingeridos, a temperatura do quarto, a maneira de deitar e até o jeito de sair da cama pela manhã interfere no funcionamento do coração, do cérebro e da circulação, e, quando esses comportamentos se repetem diariamente, torna-se parte de um padrão que afeta silenciosamente a saúde.
Quais hábitos noturnos aumentam o risco de infarto e AVC
Para entender como esses hábitos noturnos afetam o coração e o cérebro, na prática, o conteúdo a seguir aprofunda essa relação de forma clara. O vídeo do canal @Cardio DF — Cardiologia e saúde cardiovascular em Brasília (DF) explica quais comportamentos noturnos merecem atenção e como pequenas mudanças reduzem riscos ao longo do tempo.
A expressão hábitos noturnos que aumentam o risco de infarto e AVC engloba, principalmente, escolhas feitas entre o fim da tarde e o despertar. Entre os fatores mais citados estão o jantar pesado e tardio, a hidratação em excesso antes de dormir, o quarto abafado ou muito quente, o sono interrompido por roncos intensos e o uso inadequado de remédios à noite.
No caso da alimentação, refeições volumosas, muito gordurosas ou cheias de frituras realizadas perto do horário de deitar mantêm o sistema digestivo trabalhando em ritmo acelerado. Esse esforço favorece refluxo, sono superficial, aumento de gordura abdominal e resistência à insulina, o que, mantido por anos, eleva a sobrecarga para vasos e coração.
Como o sono e o ambiente interferem no coração e no cérebro
Os hábitos noturnos que aumentam o risco de infarto e AVC também passam pela qualidade do sono e pelas condições do quarto. Um ambiente muito quente dificulta a queda natural da temperatura corporal, prejudica o sono profundo e aumenta a liberação de hormônios de estresse, mantendo a pressão arterial mais elevada durante a madrugada.
A posição em que se dorme interfere na respiração, na circulação e nas dores musculares, sendo a postura lateral frequentemente mais favorável. Quando há ronco alto, pausas na respiração e cansaço ao acordar, surge a suspeita de apneia do sono, condição associada a oscilações de oxigênio, hipertensão resistente, arritmias, infarto e AVC.
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Quais mudanças práticas ajudam a reduzir esses riscos

Identificar hábitos noturnos que aumentam o risco de infarto e AVC permite organizar a rotina de forma mais favorável ao coração e ao cérebro. Em vez de mudanças radicais, pequenas adaptações consistentes costumam ser mais fáceis de manter e tornam a noite um período de recuperação mais verdadeira para o organismo.
Algumas medidas simples podem ser incorporadas gradualmente ao dia a dia para proteger o sistema cardiovascular e neurológico, favorecendo um sono contínuo, uma pressão mais estável e menor esforço para a circulação:
- Planejar o jantar: priorizar refeições mais leves à noite, com porções moderadas e menor teor de gordura, deixando os pratos mais pesados para horários mais cedo.
- Distribuir os líquidos ao longo do dia: manter boa hidratação desde a manhã e reduzir de forma gradual o volume ingerido nas duas ou três horas antes de deitar.
- Ajustar o quarto: usar ventilador, ar-condicionado ou janelas abertas, quando possível, para manter a temperatura em faixa mais fresca, com pouca iluminação e ruídos controlados.
- Cuidar da posição ao dormir: preferir dormir de lado, com travesseiro em altura adequada e colchão que ofereça bom suporte para a coluna.
- Observar sinais durante o sono: ronco intenso, despertares frequentes com falta de ar ou sensação de sufocamento são sinais de alerta para avaliação médica.
- Levantar em etapas: ao acordar, permanecer alguns segundos sentado na cama, mover pernas e braços e só então ficar totalmente em pé.
- Usar medicamentos com orientação: sedativos e remédios para pressão, por exemplo, devem ter horário e dose ajustados por um profissional de saúde, evitando mudanças por conta própria.
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Para facilitar a adoção dessas medidas, algumas pessoas organizam uma rotina noturna em poucos passos práticos, o que ajuda a dar regularidade às boas escolhas e diminui o risco de descuidos no fim do dia.
- Definir um horário aproximado para a última refeição principal, respeitando um intervalo de algumas horas antes de ir para a cama.
- Concentrar a maior parte da ingestão de água e outras bebidas entre a manhã e o fim da tarde.
- Preparar o quarto antes de deitar, verificando temperatura, iluminação e disposição de móveis para evitar tropeços de madrugada.
- Acomodar-se na cama em posição lateral confortável, ajustando travesseiros para sustentar pescoço e coluna.
- Ao notar ronco intenso ou cansaço persistente ao acordar, registrar esses sinais e comentá-los em consulta médica.
- Seguir rigorosamente o horário combinado para medicamentos de uso contínuo, inclusive os prescritos para pressão arterial.
Essas adaptações transformam a noite em uma aliada na proteção do sistema cardiovascular e neurológico, favorecendo processos de reparo cerebral e um padrão de pressão mais estável. Com isso, a rotina noturna deixa de ser um momento de risco silencioso e passa a ser uma ferramenta valiosa na prevenção de infarto, AVC e outras complicações ligadas ao envelhecimento dos vasos sanguíneos.



