A insegurança urbana ganhou novo capítulo em 2025 com a decisão de uma cidade de Córdoba, na Argentina, de instalar portões e fechar ruas durante a noite para tentar conter furtos e assaltos. Em Villa Allende, o aumento de ocorrências criminais fez com que autoridades municipais e moradores apoiassem um projeto que limita o acesso a vários pontos da cidade entre 22h e 6h, como parte de uma estratégia mais ampla de vigilância, controle de circulação e uso intensivo de tecnologia de monitoramento.
Segurança em Villa Allende e fechamento de ruas à noite
A palavra-chave central desse debate é insegurança em Villa Allende. Segundo dados apresentados pelo município, cerca de 60% dos roubos registrados ocorreriam no período noturno, o que levou a gestão local a priorizar ações voltadas especificamente para esse intervalo de tempo.
O fechamento de acessos com portões foi incorporado ao chamado “Programa integral de prevenção do delito e segurança local da cidade”, formalizado por meio de uma ordenança municipal aprovada em 2025. A medida é tratada oficialmente como excepcional, mas já influencia discussões sobre segurança em outras cidades da região.

Principais medidas do programa de segurança em Villa Allende
O plano adotado em Villa Allende combina o fechamento de ruas com portões e um pacote de tecnologias de vigilância. Na prática, o programa de prevenção ao delito se apoia em três frentes: barreiras físicas, monitoramento eletrônico e reforço policial para tentar reduzir delitos rapidamente.
Entre as ações implementadas, o município destaca o controle de acessos e a criação de áreas consideradas mais vigiadas no período noturno, com forte presença de forças de segurança. As principais medidas são:
- Portões em vias públicas: colocados em acessos estratégicos, funcionando entre 22h e 6h, sob responsabilidade de equipes municipais.
- Câmeras de vigilância: instalação de aproximadamente 300 câmeras conectadas a um centro de monitoramento em tempo real.
- Corredores seguros: rotas com iluminação reforçada, patrulhamento ampliado e presença constante de viaturas.
- Integração com a polícia: ampliação da frota de veículos policiais e coordenação com autoridades provinciais para resposta rápida.
Fechamento de ruas e o direito de ir e vir
Uma das discussões centrais sobre a segurança em Villa Allende diz respeito ao equilíbrio entre proteção coletiva e liberdades individuais. Um grupo de moradores apresentou um recurso de amparo coletivo, alegando possível violação ao direito de circulação em ruas públicas, especialmente para quem depende de deslocamentos noturnos.
A Justiça local rejeitou o pedido, permitindo que o município levasse adiante a experiência de fechamento noturno. A administração argumenta que se trata de medida temporária, com portões abertos durante o dia, e afirma ter apoio da maioria da população, embora especialistas alertem para riscos de normalização desse tipo de controle.

Impactos urbanos e sociais do fechamento de ruas
Especialistas em políticas urbanas e direitos humanos apontam que decisões como essa costumam gerar efeitos práticos e simbólicos importantes. De um lado, existe a expectativa de redução imediata de roubos; de outro, surgem dúvidas sobre os impactos na mobilidade e na convivência entre bairros.
Entre as preocupações recorrentes estão a possível segregação de áreas consideradas mais “protegidas” e outras mais expostas, a criação de barreiras físicas que alteram o trânsito diário e a dependência crescente de soluções de controle em vez de ações preventivas de longo prazo, como políticas sociais, educação e geração de emprego.
O que o caso Villa Allende revela sobre o futuro da segurança urbana
A experiência de insegurança em Villa Allende ilustra um cenário em que cidades testam soluções que misturam tecnologia, controle de acesso e mudanças na paisagem urbana. Espaços semiprotegidos, com entrada restrita e vigilância constante, tendem a se multiplicar onde o medo do crime fala mais alto que o planejamento de longo prazo.
Enquanto os dados sobre redução de delitos ainda são avaliados, este é o momento de questionar quais modelos de segurança queremos apoiar. É urgente que moradores, gestores públicos e sociedade civil se mobilizem agora para exigir políticas que combinem proteção imediata com inclusão social, antes que portões e câmeras definam, sozinhos, o futuro das nossas cidades.




