A iRobot pediu recuperação judicial nos EUA após dívidas elevadas, perda de competitividade e erros estratégicos frente a rivais asiáticos. A reestruturação prevê venda para Shenzhen PICEA, corte de custos e manutenção do suporte aos Roomba.
A falência da iRobot, fabricante do famoso Roomba, marcou um dos episódios mais simbólicos da tecnologia doméstica. Amada por donas de casa em todo o mundo, a empresa pediu recuperação judicial nos EUA e agora prepara uma reestruturação profunda para 2025.
Por que a iRobot chegou ao pedido de falência?
A crise da iRobot não surgiu de forma repentina. Nos últimos anos, a empresa acumulou dívidas elevadas, perdeu competitividade e enfrentou custos crescentes na cadeia de suprimentos, além de impactos logísticos e comerciais agravados após a pandemia.
O cenário se agravou quando a companhia perdeu participação para fabricantes asiáticas mais ágeis. Mesmo sendo referência em robôs aspiradores, seus produtos passaram a custar mais e entregar menos recursos que os concorrentes diretos.

Quais erros aceleraram a queda da marca Roomba?
A liderança histórica da empresa foi corroída por decisões estratégicas que não acompanharam o ritmo do mercado. Entre os fatores mais relevantes estão aqueles listados a seguir.
- Inovação tecnológica: a iRobot apostou em câmeras e software próprio enquanto rivais adotaram sensores LiDAR mais precisos.
- Estratégia de preços: os modelos ficaram caros frente a concorrentes que ofereciam mais funções por menos.
- Velocidade de mercado: fabricantes chinesas lançaram novidades em ciclos muito mais rápidos.
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Como uma empresa militar virou ícone das donas de casa?
Fundada por engenheiros do MIT nos anos 1990, a iRobot nasceu focada em robótica militar e espacial. Seus equipamentos foram usados pela NASA e em missões de alto risco, incluindo operações de resgate após o 11 de setembro.
A virada aconteceu em 2002, com o lançamento do Roomba. O robô aspirador transformou tarefas domésticas, virou fenômeno cultural e fez o nome da marca se tornar sinônimo da categoria em milhões de lares.

A venda para uma empresa chinesa pode salvar a iRobot?
O pedido de recuperação judicial foi feito no modelo “pré-acordado”, o que indica tentativa de recomeço. A transferência do controle para a chinesa Shenzhen PICEA Robotics pode aliviar dívidas e reorganizar a produção, como mostram os pontos a seguir.
- Dívidas eliminadas: o acordo reduz passivos bilionários com fornecedores e melhora o fluxo de caixa.
- Controle industrial: o novo controlador domina a manufatura e pode cortar custos rapidamente.
- Força da marca: o nome Roomba ainda tem enorme valor comercial no varejo global.
O que muda para quem já tem um Roomba em casa?
Mesmo com a recuperação judicial, a iRobot afirmou que seus produtos continuarão funcionando normalmente. Suporte básico e atualizações devem ser mantidos durante o processo, evitando impactos imediatos aos consumidores.
O futuro da marca dependerá da capacidade de reinventar seus produtos sem perder identidade. Se conseguir unir reconhecimento global e eficiência industrial, a antiga favorita das donas de casa ainda pode escrever um novo capítulo.




