O reajuste recente dos impostos sobre combustíveis e das tarifas de gás na Argentina e no Brasil já pesa no bolso de motoristas e usuários de serviços públicos, com aumentos relevantes a partir de janeiro de 2026, atrelados à inflação ou a decisões tributárias regionais, num cenário de recomposição fiscal que pressiona o custo de vida e exige planejamento financeiro rápido por parte das famílias e empresas.
Como funciona o novo imposto sobre combustíveis líquidos e dióxido de carbono na Argentina e no Brasil
O Decreto 929/2025, assinado por Javier Milei, atualizou os impostos sobre combustíveis líquidos e sobre o dióxido de carbono, que incidem diretamente sobre nafta (gasolina) e gasoil em todo o país. Os valores passam a valer para operações entre 1º e 31 de janeiro de 2026, com montantes fixos por litro que serão ajustados trimestralmente conforme a variação do IPC.
Nas naftas sem chumbo, tanto até quanto acima de 92 RON, além da nafta virgem, o ajuste é de 17,291 unidades no imposto sobre combustíveis líquidos e de 1,059 no imposto ao dióxido de carbono. Para o gasoil, o aumento é de 14,390 por litro no tributo principal, somado a 7,792 por litro pelo tratamento diferencial regional e 1,640 por litro no gravame de carbono, valores que se somam ao preço base das distribuidoras.

Qual é o impacto do ICMS sobre combustíveis no Brasil em 2026
No Brasil, o mecanismo de incidência é estadual via ICMS, com alíquotas fixas por litro definidas nacionalmente pelo Confaz. A partir de 1º de janeiro de 2026, a gasolina passou a ter aumento de R$ 0,10 por litro (alíquota indo de R$ 1,47 para R$ 1,57, alta de 6,8%), enquanto diesel e biodiesel tiveram alta de R$ 0,05 por litro (de R$ 1,12 para R$ 1,17, 4,4%).
O gás de cozinha (GLP) sofreu reajuste de R$ 0,08 por quilo, o que adiciona cerca de R$ 1,05 ao botijão de 13 kg. Diferentemente da nafta e do gasoil argentinos, que estão atrelados a tributos internos específicos e ao CO₂, no Brasil o ICMS é a peça central, com impacto imediato na formação de preços ao consumidor, influenciando transporte, fretes e alimentos.
Como funciona o escalonamento e o adiamento parcial dos aumentos de impostos
O decreto argentino determina revisão trimestral dos montantes segundo a inflação, mas também prevê diferir parcialmente os reajustes remanescentes para sustentar um “sendero fiscal sustentável” e, ao mesmo tempo, preservar algum espaço para crescimento. Assim, o aumento aplicado em janeiro de 2026 corresponde apenas a uma parte da atualização total calculada.
No Brasil, o ajuste do ICMS em 2026 entrou em vigor de forma concentrada na virada do ano, sem escalonamento mensal formal, o que tende a gerar um choque de preços mais forte no curto prazo. Especialistas avaliam que, em ambos os países, o calendário de aumentos influencia o ritmo de repasse à inflação, o consumo de combustíveis e a capacidade de planejamento de empresas e famílias.

Quais são as novas tarifas de gás de rede na Argentina e quem se encaixa nas categorias residenciais
Além dos combustíveis líquidos, houve atualização nas tarifas de gás natural distribuído por rede, com novos quadros tarifários aprovados pelo Enargas para as principais concessionárias a partir de 1º de janeiro de 2026. As resoluções trazem valores por categoria de consumo e área de concessão, para clientes residenciais e demais faixas de demanda.
Para entender o impacto real na conta, é essencial conhecer as concessionárias, as faixas R1 a R4 e como a segmentação de subsídios por renda e consumo define quanto cada tipo de família pagará pelo gás.
- Metrogas S.A.: na categoria residencial R1, a tarifa passa a 3.514,29 na Cidade de Buenos Aires e 4.058,43 no conurbano; na faixa R4, 83.960,03 na capital e 45.627,20 na região metropolitana.
- Naturgy BAN S.A.: na categoria R1, o novo valor é de 2.876,99, enquanto na categoria R4 a tarifa passa a 30.807,68.
- Categorias residenciais: R1 tem consumo reduzido; R2 é intermediário; R3 corresponde a demanda elevada; R4 é a maior faixa, com uso intenso de gás ao longo do ano.
- Segmentação de subsídios: níveis 2 e 3 mantêm bonificações, protegendo famílias de renda baixa e média, enquanto grupos de maior poder aquisitivo recebem menos subsídios.
Como esses reajustes impactam o cotidiano e o que fazer imediatamente
Os aumentos de impostos sobre combustíveis líquidos, gravames ao dióxido de carbono e tarifas de gás afetam transporte, logística e orçamento doméstico, sobretudo em regiões frias ou dependentes de botijão de GLP. A correção de preços administrados pressiona a inflação, mas reforça a arrecadação e redefine o poder de compra, exigindo escolhas rápidas sobre consumo de energia, transporte e eficiência.
Agora é o momento de agir: revise rotas e meios de transporte, avalie o uso de etanol quando competitivo, confira sua situação em subsídios e busque alternativas de economia de energia antes que novos reajustes entrem em vigor. Adiar essas decisões pode significar entrar e seguir em 2026 com custos fixos muito mais altos, menos fôlego financeiro e pouca margem para reagir a novos aumentos que já estão programados na região.




