Em Minas Gerais, um modelo produtivo integrado mostra como resíduos agrícolas podem virar carne, adubo e energia. Em apenas 50 hectares, uma fazenda confina milhares de bois, reaproveita subprodutos da cana, reduz fertilizantes importados e ainda fortalece a geração elétrica.
Como uma área pequena concentra tantos animais?
O confinamento instalado no Triângulo Mineiro rompe com a pecuária extensiva tradicional. Em vez de pastagens espalhadas, os animais permanecem em currais de alta tecnologia, permitindo que cerca de 30 mil bois sejam engordados simultaneamente em apenas 50 hectares.
Cada animal fica, em média, 105 dias no sistema até o abate. Ao longo do ano, o giro chega a aproximadamente 120 mil cabeças, transformando o local em uma operação contínua de produção de carne, sem depender de grandes extensões de terra.

O que entra na ração feita só com resíduos industriais?
A base do sistema está no reaproveitamento de sobras industriais, cuidadosamente balanceadas para atender às exigências nutricionais do gado. Esses insumos, que antes seriam descartados, ganham novo valor produtivo, como detalhado a seguir.
- Bagaços e subprodutos: cana-de-açúcar, laranja peletizada e DDG do etanol de milho.
- Fontes complementares: caroço de algodão, melaço e sorgo regional.
- Resultado final: ração homogênea que transforma resíduos em carne e outros derivados.
Como tecnologia e bem-estar influenciam a engorda?
A alimentação é controlada com precisão, usando caminhões com balança que medem o consumo diário por curral. O objetivo é que cada boi ingira entre 2,2% e 2,4% do peso vivo, garantindo desempenho e eficiência alimentar.
O bem-estar também faz parte da conta. Sombreamento, aspersores de água e monitoramento por drones com inteligência artificial permitem detectar alterações de comportamento, reduzindo estresse e melhorando o ganho de peso.

Como o esterco vira adubo e corta custos?
Os dejetos do confinamento não são descartados. Eles passam por compostagem controlada, ajustando umidade e nutrientes, até se transformarem em adubo orgânico padronizado. Esse processo gera benefícios claros, como mostram os pontos abaixo.
- Substituição de fertilizantes: menos dependência de insumos importados.
- Reciclagem de nutrientes: retorno direto para lavouras de cana e grãos.
- Redução logística: menor emissão associada ao transporte internacional.
Por que carne, cana e energia formam um único ciclo?
A cana que alimenta os bois também abastece a usina parceira. O bagaço não usado na ração vai para as caldeiras, gerando eletricidade suficiente para atender cerca de 700 mil residências com consumo médio.
Esse arranjo integra carne, açúcar, etanol, adubo e energia em um só sistema. O modelo antecipa o futuro da pecuária nacional, combinando alta produtividade com uso racional de recursos e menor desperdício no campo.


