Programa das casas por 1 euro na Espanha busca repovoar vilarejos, mas exige altos custos iniciais, reformas obrigatórias e prazos legais. O investimento real pode superar €20 mil, com risco de perda do imóvel se regras não forem cumpridas.
Comprar casas por 1 euro em vilarejos da Espanha virou um fenômeno global, mas o valor simbólico esconde exigências rígidas, altos custos de reforma e prazos legais. A proposta seduz quem sonha com um novo começo, desde que haja planejamento e recursos.
Como surgiu a ideia das casas por 1 euro na Espanha?
O modelo das casas por 1 euro ganhou visibilidade na Europa a partir de 2018, quando pequenas cidades italianas adotaram a estratégia para combater o despovoamento e recuperar imóveis abandonados em centros históricos.
Inspiradas por esse movimento, algumas prefeituras espanholas passaram a adotar iniciativas semelhantes, sempre de forma pontual. O objetivo é atrair novos moradores, reativar a economia local e evitar o abandono de áreas rurais.

Por que pagar 1 euro não significa gastar pouco?
O preço simbólico não reflete o custo real do investimento. Antes mesmo das obras, o comprador precisa arcar com despesas administrativas, registros e garantias exigidas pelos municípios. Esses custos iniciais raramente ficam abaixo dos valores esperados.
- Custos mínimos iniciais: dificilmente inferiores a 20.000 €, mesmo sem reforma.
- Impostos e taxas: calculados com base no valor cadastral do imóvel.
- Reabilitação obrigatória: obras estruturais costumam exigir investimento elevado.
Quais regras e compromissos os municípios impõem?
As condições variam conforme a prefeitura, mas seguem padrões rígidos. Normalmente, o comprador assume o compromisso de reabilitar o imóvel dentro de um prazo definido, que costuma variar entre um e três anos.
Também é comum a exigência de um depósito de garantia, geralmente entre 1.000 € e 5.000 €, devolvido apenas após o cumprimento integral das obrigações contratuais estabelecidas pelo município.

Como funciona o processo de compra e reforma?
A aquisição não segue o modelo imobiliário tradicional. O interessado precisa apresentar um projeto de reabilitação, detalhando prazos, custos e tipo de intervenção que será realizada no imóvel.
- Análise financeira: comprovação de recursos para executar a obra.
- Acompanhamento municipal: fiscalização contínua das etapas da reforma.
- Perda do imóvel: descumprimento das exigências pode anular o contrato.
Onde existem essas oportunidades e quais são os riscos?
Não existe um programa nacional único. As iniciativas surgem de forma isolada em regiões afetadas pela despovoação, como Castilla y León, Galicia, Asturias, Andalucía, Aragón, Extremadura e Castilla-La Mancha.
Os principais riscos estão em subestimar os custos, ignorar prazos legais e não cumprir exigências de residência. Em alguns casos, há obrigação de morar no imóvel por até 10 anos, limitando o uso como segunda residência.
As casas por 1 euro não são atalhos para moradia barata, mas parte de uma política local de repovoamento. Para quem tem recursos, paciência e planejamento, podem representar oportunidade real. Sem preparo, o euro simbólico pode se transformar em um investimento caro e irreversível.




