Entre 1994 e 2019, um caminhoneiro autônomo saiu de um veículo herdado para oito caminhões zero. Disciplina financeira, retirada mínima, financiamentos estratégicos e foco em pagar o caminhão com o frete garantiram crescimento sustentável.
Entre 1994 e 2019, um caminhoneiro autônomo transformou um caminhão antigo herdado do pai em oito veículos zero quilômetro. A trajetória foi marcada por disciplina financeira, trabalho intenso nas estradas, apoio bancário estratégico e uso consciente de financiamentos para crescer no transporte.
Como começou a virada com um caminhão herdado do pai?
Em 1994, ainda no início do Plano Real, Luiz decidiu vender o caminhão usado do pai para dar entrada no primeiro zero quilômetro. Sem histórico bancário relevante, apostou tudo no veículo, assumindo que ele precisaria gerar renda suficiente para se pagar sozinho.
Desde o início, a regra foi rígida. Ele não estabeleceu salário fixo e passou a retirar apenas o essencial para viver. Todo o excedente do frete, após despesas básicas, era destinado ao pagamento das parcelas do financiamento do caminhão.

Qual foi o papel do banco no primeiro financiamento?
O ponto decisivo aconteceu em uma agência do Banco do Brasil, em Rondônia. Mesmo sem conta ativa, Luiz contou com um gerente que acreditou no projeto e insistiu em financiar o caminhão em seu próprio nome, contrariando a ideia inicial de usar o cadastro do pai.
- Aprovação direta: o gerente assumiu o risco e estruturou a operação pelo FINAME.
- Momento crítico: o financiamento ocorreu durante a transição para o real.
- Virada de chave: essa aprovação abriu caminho para todos os créditos futuros.
Como ele conseguiu comprar oito caminhões ao longo da carreira?
Após o primeiro veículo em 1994, Luiz seguiu uma sequência planejada de trocas em 1998, duas vezes em 2001, depois em 2008, 2010, 2014 e 2019. Ao todo, somou oito caminhões zero em cerca de 25 anos.
Em cada operação, repetiu a mesma estratégia: vender o usado, dar uma entrada forte e financiar o restante em prazos entre 36 e 60 meses. O caminhão precisava “se defender”, gerando caixa suficiente antes de qualquer nova troca.

Por que disciplina financeira fez toda a diferença?
Ao explicar por que muitos não conseguem evoluir no transporte, Luiz destaca o controle extremo do dinheiro. Enquanto havia financiamento ativo, ele evitava gastos pessoais elevados e centralizava toda a receita do frete em contas separadas.
- Vida simples: retiradas mínimas para despesas pessoais durante anos.
- Conta exclusiva: fretes direcionados ao pagamento das parcelas e manutenção.
- Histórico positivo: pagamentos em dia facilitaram novos créditos no FINAME.
Essa postura permitiu preservar crédito, atravessar crises do setor e manter caminhões quitados, reduzindo riscos mesmo em momentos de frete baixo.
Valeu a pena desacelerar e parar de trocar de caminhão?
Mesmo com histórico de crescimento, Luiz decidiu não trocar novamente o caminhão após analisar os custos recentes. A diferença de preço para modelos novos não fechava com o valor dos fretes disponíveis, elevando o risco financeiro.
Com o veículo quitado, ele optou por manter a operação estável, reduzir dívidas e preservar margem. A decisão reforça a lógica que guiou toda a trajetória: só avançar quando o cálculo financeiro realmente faz sentido.




