Com a aproximação das eleições presidenciais de 2026, os planos de governo dos candidatos começam a ser apresentados. Para os pequenos e médios empresários, as propostas são fundamentais, já que no primeiro semestre de 2026, as micro e pequenas empresas criaram 543,5 mil das 921,6 mil vagas formais no país, representando quase seis em cada dez novos empregos.
Praticamente todos os candidatos reconhecem a importância do empreendedor, mas as abordagens sobre como criar um ambiente favorável aos negócios variam.
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O que dizem os candidatos
Lula
O programa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) posiciona o Estado como indutor do desenvolvimento, propondo ampliar crédito, usar compras governamentais para fomentar o setor e apoiar a digitalização para aumentar a produtividade. O plano também cita soberania digital, com foco em inteligência artificial, 5G e aproximação entre universidades e empresas.
Zema
Romeu Zema (Novo) defende uma visão com maior ênfase na iniciativa privada, redução do Estado, privatizações e atração de investimentos. Suas propostas para PMEs se concentram em melhorias no ambiente de negócios em vez de programas específicos para o segmento.
Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro (PL), em seu plano “Para o Brasil Vencer o Atraso”, propõe uma agenda econômica liberal com redução de impostos e despesas públicas. Para pequenos negócios, sugere o programa “Minha Primeira Empresa”, com foco em simplificação, crédito e orientação, além de novas modalidades de contratação e uso de IA na gestão pública.
Caiado
Ronaldo Caiado (PSD) foca na responsabilidade fiscal e na melhoria do ambiente empresarial, com revisão tributária e medidas para aumentar a previsibilidade para investidores. O programa, no entanto, apresenta poucas medidas específicas sobre tecnologia para PMEs.
Renan Santos
Renan Santos (Missão) sugere uma reforma do Estado e o Marco Brasileiro da Inteligência Artificial (MBIA), que prevê redução de impostos para empresas de tecnologia e criação de Zonas Econômicas Especiais no Nordeste.
Outros candidatos
Outros candidatos como Augusto Cury (Avante) e Leonardo Avalanche (PRTB) mencionam o empreendedorismo como ferramenta de inclusão. Já PCB, PSTU, UP e PCO apresentam programas com maior participação do Estado e foco em proteção trabalhista.
O que falta nos planos de governo
A análise dos programas revela temas recorrentes como crédito, desburocratização e inovação, com a inteligência artificial ganhando destaque. Contudo, há ausências importantes. Pouco se discute sobre capital empreendedor, que permite a empresários e investidores compartilhar riscos e resultados, uma alternativa ao endividamento via crédito.
Também faltam propostas estruturadas para ajudar pequenas empresas a crescer e ganhar escala. As políticas atuais focam no nascimento dos negócios, como o MEI e o Simples Nacional, mas não respondem como transformar uma empresa de R$ 2 milhões de faturamento em uma de R$ 20 milhões.
A discussão sobre inteligência artificial ainda é superficial. Além de desenvolver modelos de IA, é preciso pensar em como democratizar o acesso a essas ferramentas para que milhões de pequenos empresários possam usá-las em vendas, gestão e marketing.
Uma pergunta central a ser feita aos candidatos é se seus planos ajudam o pequeno empresário apenas a sobreviver ou se criam condições para que ele cresça e gere prosperidade. O desafio do Brasil é transformar mais empreendedores em empresários e permitir que mais empresas brasileiras se tornem competitivas globalmente.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, under supervisão editorial humana.
