O debate sobre o fim da escala 6×1 se intensificou neste ano no Congresso Nacional. Atualmente, existem propostas que tramitam para alterar a jornada de trabalho: a PEC 148/2015, no Senado, sugere uma redução gradual para 36 horas semanais, enquanto o Projeto de Lei 1.838/2026, enviado pelo Executivo, propõe uma jornada de 40 horas com dois dias de folga, sem redução salarial.
O que é a escala 6x1?
A escala 6x1, comum em setores como comércio e serviços, significa que o trabalhador atua por seis dias consecutivos e tem um dia de folga. A mudança para um modelo 5x2, como previsto em algumas propostas, garantiria dois dias de descanso por semana. Apesar do debate intenso, é crucial notar que, segundo o Congresso, nenhuma alteração foi aprovada de forma definitiva, e a regra atual de 44 horas semanais continua em vigor.
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Risco para a economia?
A lógica de confederações empresariais e de parte do mercado financeiro é que, para manter o mesmo nível de atividade com uma jornada menor, muitas empresas precisariam contratar mais funcionários. Essa necessidade elevaria os custos trabalhistas, especialmente em setores de mão de obra intensiva, como varejo, restaurantes e telemarketing.
Esse aumento de despesas poderia ser repassado para o preço final de produtos e serviços, gerando pressão inflacionária. Com preços mais altos, o poder de compra da população diminuiria. Outro risco apontado é que, se as empresas não conseguirem absorver os custos ou contratar, a produção geral do país poderia cair, resultando em uma retração do PIB.
Em contrapartida, de acordo com um estudo realizado pelo Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas tem potencial de gerar até 4,5 milhões de novos empregos no Brasil e elevar em cerca de 4% os níveis de produtividade no país.
Os sindicatos e defensores da mudança argumentam que trabalhadores mais descansados são mais produtivos e engajados, o que já é comprovado por países que aderiram à medida. A tese é que a melhoria na saúde física e mental dos funcionários compensaria as horas a menos, mantendo ou até aumentando a eficiência. Um funcionário menos exausto tende a cometer menos erros e a ser mais inovador.
Outro ponto central é o estímulo ao consumo, tendo em vista que, com mais tempo livre, as pessoas tenderiam a gastar mais em lazer, turismo, cultura e outros serviços. Esse movimento poderia aquecer setores inteiros da economia e gerar novas vagas de emprego, principalmente em atividades ligadas ao entretenimento e ao bem-estar.
E no resto do mundo?
A experiência internacional serve como referência, com resultados variados. A Islândia foi um dos primeiros países a adotar a escala 4×3, por meio de testes realizados entre 2015 e 2019, que foram considerados um sucesso e levaram a negociações para reduzir jornadas em todo o país. Contudo, o impacto real no Brasil dependerá de como a legislação será implementada e da capacidade de adaptação dos diferentes setores produtivos.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
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*Estagiária sob supervisão do subeditor Thiago Prata
