Em 2026, o salário mínimo vigente é de R$ 1.621, um valor 14,8% superior aos R$ 1.412 de janeiro de 2024. Neste período, a política de valorização garantiu reajustes anuais (7,51% em 2025 e 6,79% em 2026) que superaram a inflação oficial. Na teoria, isso representa um ganho real no poder de compra. No entanto, a sensação de muitos brasileiros ao passar pelo caixa do supermercado é que o dinheiro continua perdendo valor.

Essa diferença entre o cálculo oficial e a realidade do dia a dia acontece porque a inflação não afeta a todos da mesma forma. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), usado como base para o reajuste, mede a variação de uma cesta ampla de produtos e serviços. Já o orçamento das famílias de menor renda é mais impactado pela alta de itens essenciais, como alimentos e gás de cozinha.

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No primeiro trimestre de 2026, por exemplo, foram justamente os alimentos que mais pressionaram o bolso. Produtos básicos como arroz, batata e carnes registraram aumentos significativos, muitas vezes bem acima da média da inflação geral. Assim, mesmo com um salário nominal maior, a capacidade de comprar a mesma quantidade de comida continua sendo um desafio.

O peso da cesta básica no orçamento

Para entender o impacto real, basta observar a evolução do custo da cesta básica. Segundo dados do DIEESE, em abril de 2026, o valor para adquirir os itens essenciais em São Paulo comprometia cerca de 49% do salário mínimo. Apesar de o poder de compra ter melhorado ligeiramente, em 2024, um salário mínimo comprava 1,88 cesta básica, enquanto em 2026 compra 2,02 , o alto custo da alimentação continua a forçar escolhas difíceis, como substituir marcas ou reduzir o consumo de proteínas.

Essa pressão nos preços dos alimentos explica por que a percepção de perda não é apenas uma impressão. Quando os itens que mais pesam no orçamento sobem mais do que o reajuste salarial, o ganho real calculado pelo governo parece não chegar à mesa do trabalhador.

Perspectivas para 2027 e além

A política de valorização do salário mínimo, que atrela os reajustes à inflação (INPC) e ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes, busca garantir ganhos reais contínuos. A expectativa do governo é que, com a estabilização dos preços dos alimentos e o crescimento sustentado da economia, a sensação de alívio no bolso se torne mais concreta para os próximos anos.

Para maximizar os ganhos já obtidos, a principal ferramenta do consumidor continua sendo a pesquisa. Comparar preços entre diferentes estabelecimentos, aproveitar promoções e adaptar o cardápio conforme a sazonalidade dos produtos pode fazer uma diferença importante no final do mês. A estratégia é otimizar cada real para proteger o orçamento familiar da inflação que mais importa: a do supermercado.

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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