Arcelor Mittal Brasil fechou o ano passado com prejuízo de R$ 2,2 bilhões, contra um lucro líquido de R$ 2,26 bilhões em 2024, segundo resultado divulgado ontem pela siderúrgica. Segundo o CEO da ArcelorMittal Aços Longos Latam e vice-presidente da ArcelorMittal Brasil, Everton Negresiolo, o resultado do ano passado foi afetado pelas importações de aço da China a preços subsidiados e pelas sobretaxas de 50% impostas pelos Estados Unidos ao aço brasileiro, e ainda pelo pagamento de R$ 2,9 bilhões pelo fechamento do acordo relativo à aqusição da Votorantim Siderurgia. “Sem esses efeitos, nós teríamos resultado positivo, mas inferior a 2024 e muito impactado pelas importações”, disse Negresiolo. Já o Ebtida consolidado em 2025 foi de R$ 8,08 bilhões, com queda de 12% em relação a 2024.
Apesar do ambiente considerado desafiador, a ArcelorMittal conseguiu manter produção e vendas no ano passdo, embora a receita tenha sido afetada pelas margens deprimidas pela importação de aço chinês subsidiado. Segundo balanço divulgado ontem, o volume de vendas de aço atingiu 14,9 milhões de toneladas no ano passado, com queda de 1,9% em relação a 2024. Do total, 8,4 milhões de toneladas foram destinadas ao mercado interno (57%) e 6,4 milhões de toneladas (43%) ao mercado externo. “A tarifa nos EUA impactou as nossas exportações, mas conseguimos manter parte do volume exportado, diz o vice-presidente da ArcelorMittal Brasil, resaltando que as margens de operação nas vendas externas ficaram mais apertadas.
“No ano passado, conseguimos manter o volume de produção com uma queda só de 1,3%. o que mostra a resiliência da ArcelorMittal e a capacidade de ser mais eficientes, mais competitiva”, afirma Negresiolo ao lembrar que a empresa tem como grande foco a redução de custos, além de garantir a sustentabilidade da capacidade de produção das suas usinas. Hoje elas operam com uma ocupação acima de 65%. A produção total de aço da ArcelorMittal Brasil somou 15,14 milhões de toneladas, enquanto a produção de minério de ferro atingiu 2,34 mihões, volume 18,3% menor.
Proteção
Negresiolo garante ainda que a empresa não tem intenção de promover cortes de produção por causa das importações elevada de aço. No ano passado, o Brasil importou 5,7 milhões de toneladas, volume 20,5% maior do que em 2024 e 160% superior à média anual entre 2000 e 2019. Em relação à proteção da indústria siderúrgica brasileira, o vice-presidente da ArcelorMittal observa que o país renovou o sistema de cotas para produtos de aço e ainda houve a finalização de processos antidumping movidos pelo Brasil contra a China e contra a Rússia.
“Nós temos tido conversas recorrentes com o governo para a renovação do sistema de proteção com a retirada das cotas e a elevação das tarifas de 25% para 35%. E nossa expectativa é a de que até o fim de junho haja uma definição do governo, com a renovação e a ampliação”, afirma Negresiolo. Ele lembra ainda que uma investigação antidumping contra a China chegou ao fim, com ganho para o Brasil e outros dois processos devem ser concluídos em breve. “Esses processos mostram que o produto é exportado abaixo do custo de produção”, destaca o CEO da ArcelorMittal Aços Longos na América Latina.
Investimentos
O equacionamento das importações de aço que invadiram o país, com a proteção da indústria vai ser o passo que deve deslanchar investimentos de R$ 10 bilhões da ArcelorMittal Brasil nos próximos cinco anos no país. “Os principais projetos estão em fase de desenvolvimento e a questão da defesa comercial tem um papel importante para a decisão final. “Mesmo considerando o cenário bastante desafiador, a ArcelorMittal manteve o seu plano de investimentos, o que mostra a confiança no país e a confiança do grupo em relação ao futuro na região”, acrescenta Negresiolo.
Este ano, o grupo siderúrgico está fechando um programa de investimentos no Brasil que totalizam R$ 25 bilhões entre 2022 e 2026. Com expansão de capacidade de atuação nos principais segmentos consumidores, como construção civil, infraestrutura, automotivo e de energia, a empresa destinou R$ 144 milhões para a unidade de Sabará, R$ 2,5 bilhões para a Mina Serra Azul e R$ 1,6 bilhão na unidade de Barra Mansa, no Rio de Janeiro.
Aquisições
Na área de aquisições, os destaques foram a Tuper, uma das maiores transformadoras de aço da América Latina; a Dânica, que atua no segmento de painéis termoisolantes; e a Tekno, referência em soluções de revestimento e pré-pintura de metais planos, além da aquisição indireta, via Tekno, do controle total da Perfilor, que atua também no segmento de painéis termoisolantes. “As aquisições fazem parte da estratégia da empresa de diversificação do portfólio e de ampliação da oferta de soluções completas e de alto valor agregado para seus principais mercados”, diz a empresa em nota.
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Energia
A ArcelorMittal Brasil também finalizou os investimentos de R$ 5,8 bilhões em energia renovável, com a entrada em operação do Complexo Babilônia Centro (parque eólico e solar) na Bahia, uma joint venture com a Casa dos Ventos, e o Parque Solar ArcelorMittal Energia Paracatu, em Minas Gerais. A energia produzida por essas unidades será destinada principalmente às operações da organização no Brasil, assegurando previsibilidade de fornecimento e custo competitivo. Somadas, as três plantas acrescentaram 1 GW de capacidade instalada à ArcelorMittal.
