Estimativas apresentadas ao STF por Greenpeace Brasil e WWF-Brasil, organizações socioambientais, indicam que até 1,46 milhão de hectares de vegetação nativa podem ser convertidos em áreas de plantio se a Moratória da Soja for descontinuada. A área equivale a cerca de dez vezes o território da cidade de São Paulo.
O cálculo também aponta impacto de até 785 milhões de toneladas de CO2 e aumento de 5% a 6% nos custos de exportação, diante de exigências de rastreabilidade em mercados como o europeu.
Os números fazem parte de uma manifestação enviada ao tribunal em uma ação sobre a moratória, acordo firmado entre tradings e organizações para não comprar soja produzida em áreas desmatadas na Amazônia após 2008.
No documento, as entidades também afirmam que o controle ambiental do país ainda é limitado, com apenas 3,8% dos registros do Cadastro Ambiental Rural analisados e mais de 140 mil cadastros com sobreposição a áreas públicas, o que, segundo elas, abre espaço para irregularidades.
O tema está ligado a um conjunto de ações no STF que discutem leis aprovadas por estados como Mato Grosso e Rondônia, que retiram benefícios de empresas que seguem esse tipo de compromisso ambiental. A decisão pode afetar a forma como empresas organizam suas compras e a relação do setor com mercados externos.
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Segundo revelou a coluna, empresas signatárias da moratória enxergam no julgamento previsto para este mês a chance de conseguir do Supremo um posicionamento que consolide a legitimidade do acordo. A iniciativa tem como objetivo diminuir o risco de ações de produtores rurais que afirmam ter sofrido prejuízos em razão das limitações comerciais impostas pelo pacto.
