O acordo entre Mercosul e a União Europeia colocou a mineração brasileira em uma encruzilhada: industrializar a cadeia de minerais críticos ou acelerar a exportação de commodities em meio à corrida global por terras raras.
Na versão renegociada do tratado, concluída após quase 25 anos de conversas, o Brasil preservou o direito de adotar políticas industriais no setor, incluindo a possibilidade de restringir ou taxar exportações de minerais críticos, com alíquotas de até 25%, para estimular processamento, refino e beneficiamento no país.
Na prática, esse ponto abre espaço para que o Brasil dispute etapas mais rentáveis da cadeia — como a produção de insumos para baterias, ímãs permanentes e tecnologias de transição energética — em vez de se limitar à venda de minério bruto.
O problema é que o acordo também pode empurrar o setor na direção oposta, uma vez que minerais críticos e seus derivados terão tarifas zeradas na União Europeia em um prazo de quatro ou cinco anos — e, em alguns casos, desde o primeiro dia de vigência. Óxidos e hidróxidos de níquel e cobre, além de diversos compostos associados às terras raras, entram rapidamente em livre comércio.
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O interesse dos europeus nos insumos minerais brasileiros aparece em contrates com outros setores. Produtos sensíveis da indústria europeia, como queijos e vinhos, ficaram sujeitos a prazos longos, cotas e salvaguardas, enquanto os minerais estratégicos avançaram sem grandes barreiras.
