Gabriela engravidou no mês em que completou 15 anos. Jéssica usava anticoncepcional, mas esquecia de tomar. Evellyn foi expulsa de casa pelo pai quando contou a notícia. Soninha Francine tinha informação de sobra, cresceu com uma mãe feminista e estudou em colégio de freiras que ensinava métodos contraceptivos, e ainda assim ficou grávida aos 15.
Histórias diferentes, mas com um fio comum: nenhuma dessas meninas estava preparada para ser mãe. E todas elas existem em um país onde, a cada hora, 48 bebês nascem de mães adolescentes.
É sobre essas histórias e sobre os dados, as falhas do Estado e os silêncios da família que trata Nem cresci e já sou mãe: relatos sobre gravidez na adolescência (Geração Editorial/2026), livro-reportagem da jornalista Joyce Ribeiro.
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“Quando a gravidez acontece, a luta pela independência e autonomia encontra dificuldades muitas vezes irreversíveis para meninas que se tornam mães muito jovens. Elas acumulam traumas, agressões, violências e desilusões, e isso aumenta os obstáculos para a construção de um futuro diferente”, afirma a autora.
A obra combina relatos em primeira pessoa com pesquisa científica robusta e depoimentos de profissionais de saúde, entre eles a obstetra Larissa Cassiano, que narra o caso mais perturbador de sua carreira: o parto de uma menina de 11 anos que chegou ao pronto-socorro sem saber que estava grávida. “Foi uma violência do menino, da família, da sociedade, de todo mundo que estava perto dela, de ninguém ter visto; e ela ali em trabalho de parto gritando pela mãe."
Os números são igualmente contundentes: sete em cada 10 meninas grávidas são negras. Seis em cada dez não estudam nem trabalham. A evasão escolar é um dos impactos mais devastadores e Jéssica, uma das personagens do livro, coloca isso em perspectiva: “No ano em que engravidei, havia mais três meninas grávidas na mesma sala. Éramos quatro mães adolescentes numa única sala. Depois, duas delas abandonaram os estudos.”
Segundo o Banco Mundial, o Brasil poderia aumentar sua produtividade em US$ 3,5 bilhões por ano se as adolescentes adiassem a maternidade para depois dos vinte anos.
Nem cresci e já sou mãe é um convite para que famílias, escolas e profissionais de saúde parem de tratar a gravidez na adolescência como sina pessoal e comecem a encarar o que ela de fato é: um problema coletivo, evitável e com solução.
“Aqui você certamente não encontrará um livro de respostas diretas e absolutas. Meu grande objetivo é que o texto incentive conversas, seja um disparador de diálogos e promova trocas sinceras entre familiares, amigos e profissionais da educação e da saúde”, escreve a autora.
Nem cresci e já sou mãe: relatos sobre gravidez na adolescência
Joyce Ribeiro
Geração Editorial, 2026
R$ 69,90
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168 páginas
