LUIZ CARLOS DE AZEVEDO CORRÊA JÚNIOR
Desembargador, presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG)
No último dia de sua gestão à frente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais – já que amanhã a nova direção do TJMG toma posse –, o presidente, desembargador LUIZ CARLOS DE AZEVEDO CORRÊA JÚNIOR, em entrevista EXCLUSIVA ao D&J Minas, faz um balanço de seu mandato, fala de suas realizações, legado e planos futuros.
O senhor está encerrando, hoje, seu mandato como presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Quais foram os principais desafios desses dois anos à frente do Judiciário mineiro?
Os desafios foram muitos. Somos o segundo maior Tribunal de Justiça de grande porte do país, atrás apenas do TJSP. Temos mais de 1,2 mil juízes e juízas e aproximadamente 13 mil servidores e servidoras, espalhados por 298 comarcas. Minas é um estado plural em todos os sentidos e a administração deve levar isso em consideração. Ao lado dessa realidade multifacetada, estamos enfrentando o fenômeno da multiplicação das demandas. De um lado, há a indicação de que a população confia no Judiciário estadual, mas, sob outro prisma, essa procura impõe ao gestor a adoção de medidas que proporcionem o enfrentamento qualificado das novas ações.
Em termos de quantitativo de processos, de comarcas, de novos Fóruns, de juízes, pode fazer um balanço dos principais indicadores do TJMG se comparada a atualidade com o início de seu mandato?
Na atual gestão, nomeamos mais de 50 novos juízes e juízas, e admitimos mais de uma centena de servidoras e servidores. Conseguimos em 2025 julgar mais processos do que recebemos – 2 milhões recebidos e 2,3 milhões julgados. Diariamente, são distribuídos, em média, na primeira instância, 17 mil novas ações, e chegam ao Tribunal, também por dia, aproximadamente 1,5 mil novos recursos. Enfrentar essa crescente demanda e apresentar resultados exige muito trabalho e dedicação. Em virtude dos limites fiscais, não podemos majorar a estrutura. Por isso, apenas instalamos uma vara de violência doméstica em Uberaba, com a utilização do cargo de juiz auxiliar lá existente, e uma unidade dos Juizados Especiais em Nova Serrana. Mas criamos núcleos de cooperação, secretarias unificadas e centrais de processamento eletrônico. Além disso, estamos substituindo o Pje pelo eproc, que é um sistema que prima pela automatização. Temos que fazer mais com o mesmo, ou mais com menos. O caminho a ser traçado é o da inovação.
Quais foram as principais realizações e conquistas de seu mandato para os magistrados? E para os jurisdicionados?
No meu discurso de posse me comprometi a valorizar a magistratura mineira e o corpo de servidores de nosso Tribunal, e muito trabalhei nesse sentido. Esses atos não beneficiam apenas a estrutura interna, pois impactam na qualidade do trabalho e na produtividade. Os números favoráveis do Tribunal na atual gestão são reflexo dessa valorização do público interno.
O senhor foi o 56º presidente nos 150 anos do TJMG e, ao mesmo tempo, a inteligência artificial se desenvolveu, com enorme agilidade, nesses dois anos. No seu mandato, o que o Judiciário mineiro evoluiu em relação ao uso da IA?
Avançamos muito no uso da inteligência artificial. Criamos um grupo executivo para tratar do tema e disponibilizamos aos juízes e às juízas ferramentas que facilitam e agilizam o trabalho. Mas temos que continuar essa evolução, pois a cada dia surgem novas facilidades. O avanço tecnológico nessa área é quase diário e não podemos nunca perder de vista que a última palavra será dada por um humano.
Qual principal legado o senhor deixa para seu sucessor, desembargador Vicente de Oliveira Silva, que assume a presidência do TJMG amanhã, 1º de julho?
Acredito que o maior legado é um Tribunal unido e pacificado. Em dois anos de gestão, não tivemos qualquer rusga interna. Ao contrário, foi um período de muita paz. As divergências são naturais e fazem parte dos colegiados, mas devem ser tratadas com respeito e espírito republicano. Desde o início desta gestão, demos um tratamento de acolhimento e escuta a todo o público, interno e externo. O relacionamento institucional harmonioso e produtivo mantido pelo Tribunal com todos os atores das cenas jurídica e política muito nos orgulha.
Considerando que o novo presidente do TJMG fazia parte de sua administração, na qualidade de superintendente administrativo adjunto, o que espera de sua gestão em relação aos projetos implantados e iniciados pelo senhor?
Fizemos uma gestão a quatro mãos. Além de amigos fraternos, temos uma história de trabalho conjunto. Na verdade, nos atos internos da administração, não havia um presidente e um superintendente, mas sim duas pessoas trabalhando juntas com o mesmo ideal. Os projetos da gestão também são do desembargador Vicente, e muitos deles foram criados e gerenciados pelo então superintendente. Diante disso, acredito que teremos não apenas a continuidade dos atos da gestão, mas muitos avanços.
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Quais são seus planos agora que deixa a presidência do TJMG?
Voltar para a minha câmara de origem, a 6ª Câmara Cível, e julgar processos. Ao assumir a presidência do Tribunal, afirmei que era um juiz que passava a exercer as funções do cargo. Agora, sou um juiz que volta para a jurisdição, depois de dois biênios, na Corregedoria e na presidência. Vou fazer o que faço desde 1992, quando ingressei na magistratura, com muita alegria e o sentimento de que continuarei a cumprir o meu dever. E também muito feliz pela oportunidade que tive de fazer a minha parte, como muitos outros, sempre com foco no engrandecimento da Justiça mineira.
