ROMEU ZEMA
Ex-governador de Minas Gerais
Logo após deixar o governo de Minas para tentar se viabilizar como candidato a presidente da República, o governador Romeu Zema, em entrevista exclusiva ao D&J Minas, fala das dificuldades que encontrou e de suas realizações à frente do Executivo mineiro. Reiterando não se tratar de um político e que, por isso, pode fazer muito pelo Brasil, Zema deixa claro que levará, até o fim, a candidatura à Presidência da República.
O senhor, no último dia 22 de março, renunciou ao posto de governador de Minas Gerais, dentro do prazo exigido pela legislação eleitoral, eis que pretende se candidatar nas próximas eleições. Depois de 5 anos e meio à frente de Minas Gerais, o senhor pode dizer que sai com sentimento de dever cumprido?
Após um pouco mais de sete anos no governo de Minas, deixei o estado muito diferente do que encontrei. Minas Gerais, antes do nosso governo, era uma terra arrasada, onde não se pagavam servidores nem prefeituras; era um caos. No primeiro mandato, conseguimos colocar a casa em ordem e, no segundo, realizamos grandes entregas, como a criação da Linha 2 do metrô e a construção de dois hospitais regionais, um em Teófilo Otoni e outro em Divinópolis, entre outras. Mas costumo dizer que o melhor ainda está por vir: deixei dinheiro reservado para outras grandes obras, como o Rodoanel Metropolitano, por exemplo. Então, considero que o dever foi cumprido, mas quem der continuidade ao nosso trabalho terá a missão de concluir o que iniciamos.
Nesses mais de 5 anos, quais foram as maiores dificuldades que enfrentou à frente do Executivo mineiro?
Foram muitas dificuldades. Na minha primeira semana como governador, houve uma manifestação de prefeitos na Cidade Administrativa. Era muito legítima, pois eles não recebiam os repasses do Fundeb, ICMS e IPVA do governo do PT. Mas, com muita responsabilidade, quitamos essa dívida em 2022 com todas as prefeituras. Além disso, ainda no meu primeiro mês como governador, aconteceu uma trágica lástima: o rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho. Foram 272 vidas perdidas por uma irresponsabilidade do governo do PT, novamente. Mas responsabilizamos a empresa e fizemos o maior acordo da história do Brasil e da América Latina: foram R$ 37,6 bilhões para reparar os danos causados, e o dinheiro destinado ao estado só pode ser usado em grandes obras que beneficiem o povo mineiro. Outra grande dificuldade foi colocar Minas Gerais na grandeza que o estado merece, atraindo mais empresas e garantindo emprego e renda para os mineiros. Batemos a marca de 1 milhão de empregos com carteira assinada e atraímos mais de R$ 470 bilhões em investimentos desde 2019. Foram muitas dificuldades, mas conseguimos superar tudo aquilo que o governo Pimentel deixou em Minas.
Sua gestão tem uma boa avaliação dos mineiros, sobretudo no interior do estado. A que atribui essa condição? O fato de ser um empresário de sucesso proveniente do interior do estado, acha que facilitou a relação com os temas das cidades pequenas e médias?
Eu costumo dizer que o governador de Minas tem que ser governador de Minas, e não apenas de Belo Horizonte, como acontecia antes. Desde 2019, estive em mais de 430 municípios do estado; fui o governador que mais percorreu o interior. Em muitas cidades que visitei, os moradores me disseram que eu era o primeiro governador a estar no município. Isso não pode acontecer. Quem realmente quer mudar as coisas precisa levantar da cadeira e ir conversar com prefeitos, vereadores e a população para entender de perto a realidade dos problemas.
Na sua avaliação, quais foram as principais e mais importantes conquistas de seu governo e qual o legado, acredita, ter deixado para seu sucessor?
Devolver a dignidade aos mineiros foi uma das principais ações do nosso governo. Criar 1 milhão de empregos já é muito para um país; imagine para um estado. Conseguimos recuperar a credibilidade, e as empresas voltaram a investir em Minas Gerais. Além disso, o agronegócio no estado deu um salto e, pela primeira vez, superou a mineração nas exportações. Isso significa não apenas o avanço do Estado, mas também o progresso dos mineiros. O legado que deixo ao meu sucessor é que, com responsabilidade e compromisso fiscal, o estado avança. Com um governo próximo dos mineiros, o estado avança.
O seu vice, Mateus Simões, assumiu o governo e comandará o estado até 31 de dezembro próximo. Minas está em boas mãos? Qual sua expectativa para esses pouco mais de 9 meses de mandato? O que espera que Simões conclua ou execute nesse período?
O Estado está em ótimas mãos. O governador Mateus Simões foi meu braço direito desde 2020, quando começou como secretário-geral no governo de Minas, e, em 2022, foi eleito vice-governador. Assim como eu, ele conhece muito bem o interior de Minas e está disposto a trabalhar pelos mineiros. Tenho certeza de que ele cuidará muito bem do estado nesses nove meses e inaugurará mais um hospital regional, em Governador Valadares, entre outras grandes entregas que vêm pela frente.
O senhor não esconde que seu maior propósito é se candidatar à Presidência da República. O que o levou a essa decisão? Como vê a situação do Brasil atual? Quando foi candidato ao governo, pela primeira vez, partiu de traço nas pesquisas e ganhou no primeiro turno. Acha que essa pode ser uma realidade também na sucessão presidencial?
Tenho certeza de que isso pode se tornar realidade. Eu nunca fui político; sempre fui um empresário, indignado com tanta roubalheira e pouca vergonha de alguns políticos. Minha decisão se dá porque tenho vontade de mudar as coisas. Assim como mudei Minas Gerais, posso mudar o Brasil. Não podemos mais aceitar essa farra dos intocáveis do STF e, principalmente, não podemos mais aceitar o PT no governo Federal. Eles prometem desde 2002 e nunca cumprem. O que fazem, ao que parece, é acumular escândalos de corrupção. Todo governo do PT tem algum escândalo. Não podemos aceitar isso.
Em setembro de 2024, em entrevista exclusiva à Rádio Tupi, no Rio, o senhor informou que os governadores que formam o Cosud – Consórcio de Integração Sul e Sudeste, caminhariam juntos nas eleições de 2026. A ideia era que, independentemente de quem fosse o candidato do Sul/Sudeste, e naquele momento havia, além de seu nome, o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e do Paraná, Ratinho Júnior, como potenciais candidatos. Ratinho desistiu da candidatura e, ao que tudo indica, Tarcísio partirá para a reeleição em SP. Isso aumenta suas chances? Muda algo em relação ao apoio dos governadores do Cosud?
Todos os governadores de direita do Sul e do Sudeste do Brasil estão unidos em prol do país. É claro que cada um pode seguir a orientação do partido ao qual pertence, mas todos caminham juntos com o objetivo de tirar o PT do governo. Juntos, formamos um grupo de governadores que fizeram seus estados prosperarem. Tenho certeza de que alcançaremos o principal objetivo, que é tirar o PT do poder, pois eles são o problema.
Em seu projeto político existe espaço para aceitar uma vice-presidência ou até uma vaga para o Senado?
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Vou até o fim para viabilizar minha candidatura à Presidência da República pelo partido Novo. Quero mudar o Brasil e ajudar no seu desenvolvimento, pois somos um país que tem tudo para crescer; basta fazer a coisa certa que os resultados virão. Em relação ao Senado, costumo dizer que sou uma pessoa de chão de fábrica, alguém que precisa estar perto do problema para conseguir apresentar soluções. Por isso, assim como a vice-presidência, descarto a candidatura ao Senado. n
